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[Opinião] A crise de 2019 da YG Entertainment: O que aconteceu com a fábrica de hits?

O ano de 2019 foi o divisor de águas da empresa e os grupos mais novos são os mais atingidos


Artistas da YG Entertainment
(YG/Reprodução)

A YG Entertainment um dia foi casa de diversos grupos grandiosos da indústria, apresentou ao cenário musical artista que dominavam charts e ditavam tendências. BIGBANG e 2NE1 fizeram parte dos anos de ouro do K-pop, embora o tempo não tenha sido um aliado da YG, muito por culpa da própria gestão. Desde 2019, a força que costumava ter ficou apenas para memória, com exceção daqueles que já haviam se consolidado.


A frase "o último a sair apaga a luz" se encaixa bem no caso da YG, ao longo dos anos a empresa perdeu grandes nomes — alguns até duvidamos que deixariam a empresa um dia —, BIGBANG, 2NE1, PSY, iKON e Lee Hi não compõem mais a lista de contratados da agência. Da "velha guarda" apenas Winner, AKMU e BLACKPINK permanecem com seus contratos, embora lançamentos constantes não ocorram, possuem uma base sólida e alcançam bons resultados.


Recentemente, o tão aguardado — talvez não tão mais quanto costumava a ser há alguns — novo girlgroup da YG deu uma prévia do que está por vir com dois pré-singles em meio ao cenário de "apagamento" da agencia entre o público local. O BABYMONSTER não movimentou tantas reações positivas fora do nicho de fãs e pode se encaixar no "momento errado", que os novos talentos da empresa precisam lidar e os experientes precisam contornar desde 2019.





As gerações de ouro da YG Entertainment e a percepção coreana anos pré-2019


Artistas da YG Entertainment
(YG/Reprodução)

A empresa fundada por Yang Hyun Suk em 1996 nunca foi o maior símbolo de bom exemplo na percepção coreana, mas não impediu o sucesso inegável ao ponto de fazer parte da BIG 3 e ter sua influência estendida para além da indústria fonográfica. A YG atual é bem diferente da antiga, começando pela lista de artistas, que costumava ter maior quantia de agenciados, dos quais foram responsáveis por grandes feitos.


BIGBANG trouxe os anos de ouro para a agência e mostrou uma longevidade surpreendente para os parâmetros de gestão da YG. A empresa batia de frente com força com a SM Entertainment, enquanto a rival dominava as vendas físicas, ninguém podia com os artistas da YG em digitais e na segunda até a terceira geração, ninguém queria encontrar com BIGBANG nos charts ou na briga pelos prêmios principais em grandes cerimônias.



Apesar da popularidade dos artistas, por muito tempo eles carregaram uma imagem negativa. A segunda geração sofria com o estigma de estar fora dos padrões de beleza coreano, mas os artistas se tornaram conhecidos justamente por este visual autentico, conceitos que beiravam ao estranho e foco maior em rap do que em vocais. YG ficou conhecida por formar rappers — coisa que suas rivais não conseguiam com a mesma excelência — e por conceder maior liberdade criativa aos artistas.





A história da empresa acompanha grandes sucessos, mas também certas polêmicas, que até 2019 eram pontuais e de certa forma "engolidas" pelo público. Por exemplo, era comum ver duras críticas em fóruns ou sites de notícias sobre as atitudes de membros do BIGBANG, mas no fim admitiam que ouviriam os lançamentos de qualquer forma. Dentro da BIG3, a SM carregava a imagem de "ídolos exemplares", enquanto a YG era composta pelos "delinquentes", mas isso nunca impediu o sucesso de seus artistas — até certo ponto.


As polêmicas da YG em 2019


Artistas da YG Entertainment
(Reprodução)

Pode-se dizer que muita coisa mudou para a empresa a partir de 2019, ano em que esteve envolvida em uma série de polêmicas relacionadas aos seus agenciados e o próprio fundador, Yang Hyunsuk. Aquele foi um período fatídico para a sociedade sul-coreana com a exposição do caso Burning Sun, a qual um dos artistas da YG era proprietário.


Seungri, até então membro do BIGBANG, foi acusado e condenado de nove acusações, entre elas, de mediar prostituição, violência sexual e participação de jogos ilegais. Além desses casos, ídolo possuía uma relação próxima com dois ídolos que tiveram seus nomes envolvidos em crimes de abuso sexual e divulgação de imagem, o cantor Jang Joon Young (JJY) e Choi Jong Hoon, ex-guitarrista do FT. Island, o que não ajudou a melhorar a sua imagem.



O BIGBANG costumava ser o "carro chefe" da empresa, o nome de um dos seus artistas mais populares fez a YG estampar a mídia negativamente. No mesmo ano, emergiu a notícia de que B.I do iKON usou drogas em 2016, a situação levou a saída do líder para não prejudicar o grupo. O episódio também envolveu o nome de Lee Seung Hoon do Winner por troca mensagens com a "fornecedora" para esclarecer o acontecimento.


Como se não bastassem os artistas, Yang Hyun Suk também foi investigado por coagir testemunha do caso de drogas, prática de jogos de azar, sonegação fiscal e mediar prostituição. As acusações o levaram a renunciar o cargo como CEO da YG no mesmo ano. No fim, o empresário foi inocentado apenas na acusação de mediar prostituição por falta de provas.


A percepção atual do público com a YG e lançamentos da empresa pós-2019


Artistas da YG Entertainment
(Reprodução/YG)

O ano de 2019 não foi apenas um ano em que o público cansou das atitudes da empresa, mas também expôs as dificuldades da YG em gerir crises. Fãs temiam que em futuros problemas a empresa não fosse capaz de proteger seus artistas favoritos de forma apropriada, enquanto outros não conseguiam mais ver a forma como as celebridades sofriam descaso e passaram a não ter interesse em novos artistas.


Por exemplo, a relação de fandoms da YG atualmente é bem contrária de anos atrás. Os mais antigos no K-pop vão lembrar que os fãs de diferentes artistas da empresa eram mais unidos, pelo menos na medida do possível. Muitas VIPs — fãs de BIGBANG, gostavam de 2NE1 e vice-versa, enquanto fãs de grupos da segunda geração apoiavam Winner e iKON. Levando consideração minha experiência, meus anos como fã do BIGBANG a partir de 2014, despertou minha ansiedade pela estreia do iKON no ano seguinte à medida que também acompanhei outros lançamentos da empresa.


Em outras palavras, era comum que fãs de um artista específico da YG gostasse dos outros ou ficasse ansioso pelos futuros debuts. No geral, depois de tudo o que aconteceu em 2019 parece que essa admiração por grupos da empresa se esfriou. A empolgação que uma pessoa do fandom X sentia quando a YG estava prestes a estrear o artista Y não acontece mais e acredito que esses fãs cansaram.


Se tornou exaustivo acompanhar a constante má gestão e muitos desistiram de futuros lançamentos da YG para não permanecerem nesse ciclo. Há também o ponto de que percepção mudou e muitos fãs não são mais tão solícitos como antigamente e preferem jogar a culpa para o descaso em outros artistas do que encarar que estão todos no mesmo barco.





Em relação aos lançamentos pós-crises, nada impediu os comebacks programados. Winner, iKON, BLACKPINK, AKMU e outros artistas conhecidos da empresa fizeram seus retornos. Ao mesmo tempo em que circulava uma petição de boicote aos agenciados da YG na Coreia do Sul. O TREASURE sem dúvidas foi um grande afetado pelos episódios de 2019, já que seu debut foi completamente descartado para aquele ano, mas é difícil dizer se essa foi uma estratégia de manter o boygroup longe daquele cenário ou o descaso habitual.


Felizmente, o TREASURE contou com uma fanbase forte, muitos dos membros são conhecidos desde o pré-debut. O boygroup tem força no Japão, esbanja vendas físicas e tem se direcionado a turnês — bem lucrativas, por sinal. O grupo não é um "desastre" como muitos preferem pintar por aí, mas é inegável não pensar que poderia ter um apelo maior na mídia sul-coreana. No geral, o TREASURE parece ter mais dificuldade de atingir o "grande público", como seus antecessores faziam. Além da dificuldade da YG em realmente se atualizar as mudanças das gerações e investir na imagem de seus grupos em solo nacional.



Cinco anos se passaram, mas a imagem da empresa ainda não está totalmente limpa para o público local. Até aqueles que pareciam mais ter a simpatia do público sul-coreano em geral, passaram a sofrer certas consequências. O BLACKPINK é um grande exemplo, o girlgroup trouxe a "boa imagem", que os padrões da Coreia do Sul acreditavam que faltava na YG, mas há algum tempo multiplicaram comentários negativos e as críticas estão cada vez mais incisivas por qualquer mínimo ato do quarteto. O grupo permanece com números altos, mas parece estar na mesma situação que certos artistas da empresa já passaram: o público vai colocar defeitos, mas não pretende deixar de consumir.


Em relação aos novos talentos da empresa, o destino do BABYMONSTER ainda é incerto. O grupo pode seguir os passos do BLACKPINK em seu debut e ajudar a "limpar" a imagem da empresa ao entregar o padrão que os sul-coreanos gostam. No entanto, o terreno ainda não é o dos mais amistosos para a YG e apesar dos singles pré-debut tenham mostrado números, sofreu com duras críticas.


Um dos grandes problemas da empresa é a sua dificuldade em entrar no gosto do público e de fato emplacar um hit. As músicas de seus artistas costumavam estar por toda a parte, eram vistas como fortes concorrentes as principais premiações e dominavam charts. Era um nível de sucesso que explodia a bolha do fandom e alcançava qualquer pessoa comum nas ruas. Onde está a empresa que mostrava como fabricar hits? Responsável por Fantastic Baby, I am the best, Really Really, Love Scenario e Boombayah? No final, os novos talentos da YG podem mostrar números surpreendentes, mas o grande desafio é penetrar no gosto do público local e se sobressair entre seus rivais da geração.




YG pode ficar de fora da BIG 3?


Ao discutir sobre a situação na YG é impossível não tangenciar a pauta de sua posição entre as três grandes empresas do K-pop. Vale lembrar que a BIG 3 não é um grupo rotatório, que de tempos em tempos sai um e entra outro. Independente da situação, não tem como apagar um legado, no momento de levar o K-pop para o patamar que as novas gerações conhecem foram trabalhos de SM, JYP e YG. Outras empresas ascenderam e mostraram novos caminhos? Sim, mas uma base foi construída antes. Independente das dificuldades atuais da empresa, ela não esta a beira da falência como espalham por aí no boca a boca e vale lembrar que a sua influência não se limita a indústria musical.


De fato, a situação da YG não é muito favorável e a sua imagem não é mais tão "intocável" como parecia antes. A tolerância do público sul-coreano com a empresa caiu drasticamente, mas está não é a primeira e nem a última crise que a empresa vai enfrentar. E para quem tem dúvidas, ainda assim está longe de fechar as portas.

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