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Cyber Hell na Netflix: Conheça o 'Caso Nth Room', crime sexual que chocou a Coreia do Sul

Novo documentário da Netflix, Cyber Hell: Exposing an Internet Horror, revela organização criminosa no Telegram, que envolvia pornografia infantil e chantagem

(Reprodução/Google)

Mais uma vez, a Netflix está trazendo histórias reais para os holofotes, em produções como O Golpista do Tinder e O Assassino da Capa de Chuva: Caça ao Serial Killer. Dessa vez, uma nova produção sul-coreana revela o escândalo do Caso Nth Room, crime cibernético sexual que ganhou atenção da mídia em 2020.


O documentário intitulado Cyber Hell: Exposing an Internet Horror chega ao catálogo do streaming em 18 de maio e traz um olhar para as vítimas expostas nos bate-papos eróticos no Telegram e investiga os mecanismos utilizados pelos criadores dos chats para chantagear mulheres vulneráveis. Para te ajudar a entender melhor o assunto abordado na produção "true crime" da Netflix, o Café Com Kimchi trouxe informações sobre o crime que chocou a Coreia do Sul em 2020.


O que é o "Caso Nth Room”?

(Reprodução/Netflix)

O caso Nth Room refere-se a um enorme crime sexual que ocorreu no Telegram, entre 2018 e 2020, e vitimou dezenas de mulheres, muitas delas menores de idade, ainda no ensino médio. Mais de 260 mil pessoas pagavam para acessar as salas de bate-papo, criadas pelos criminosos Cho Joo Bin e Moon Hyung Wook, para assistir a vídeos em que mulheres eram estupradas e filmadas sem consentimento (prática conhecida como molka).


Alguns arquivos compartilhados nas salas eram de mulheres que tiveram seus celulares invadidos por hackers, chantageadas para enviar mais materiais íntimos para que seus dados pessoais não fossem vazados. Assim, iniciava-se um sistema de escravidão sexual por meio de coerção.


Conhecido como o dono da sala, um usuário com o nome “Baksa”, que significa “Doutor”, vendia as imagens e vídeos de teor sexual nas salas de bate-papo, nas quais os usuários pagavam de 250.000 (cerca de 200 dólares) a 1,55 milhão de wons (equivalente a 1.200 dólares) pela taxa de entrada.



Posteriormente, foi revelado que “Baksa” era Cho Joo Bin, de 26 anos, condenado a 45 anos de prisão e obrigado a usar uma tornozeleira eletrônica por cinco anos após sua libertação — além disso, também foi proibido de ser empregado em qualquer escola ou instalações de assistência social.


Já o usuário “God God”, co-criador da sala, era Moon Hyung Wook, também com 26 anos, preso em maio de 2020 e indiciado por 12 acusações. Os promotores exigiram que ele pegasse prisão perpétua, mas acabou sendo condenado a 34 anos de prisão. Ao todo, a polícia investigou 3.500 suspeitos, mas só prendeu 245.


Vulnerabilidade das vítimas

(Reprodução/Netflix)

Entre as vítimas do Nth Room, 76 foram chantageadas a alimentar os conteúdos das salas de bate-papo, sendo 16 delas menores de idade — e a mais nova tinha nove anos. Um dos pontos em comum entre elas era a vulnerabilidade financeira, que fazia com que os hackers se aproveitassem para roubar seus dados e chantageá-las.


Em uma entrevista à CBS Radio, uma vítima anônima compartilhou estar procurando desesperadamente por um emprego enquanto estava no ensino médio, quando foi abordada por um usuário online. A ela foi oferecido um emprego de meio período de 4 milhões de won (3.200 dólares) por mês, além de um telefone gratuito e pagamento antecipado.


Depois de fornecer suas informações pessoais e número do banco ao seu novo empregador, o usuário começou a pedir conteúdos explícitos, como vídeos rasgando o próprio uniforme escolar e se masturbando, ameaçada de ter seus dados expostos caso se negasse.


Outros casos envolviam automutilação e introdução de objetos dentro do corpo e, em situações mais extremas, os homens com maior poder aquisitivo (membros das “salas superiores”) pediam para estuprá-las. Apesar da prisão dos envolvidos, a maioria das vítimas ainda não se sente segura em relatar o que viveram.


Celebridades envolvidas no Nth Room


As salas superiores eram compostas por pessoas com muito dinheiro, como CEO’s de empresas, atletas, professores, atores de televisão e até mesmo cantores de K-pop. Os dados dos membros pagantes não foram divulgados porque os homens com maior poder aquisitivo (cerca de 10 mil integrantes da sala) pagavam com criptomoedas. Apesar de serem difíceis de rastrear, o governo pode conseguir os dados dessas pessoas — por algum motivo, ainda não foram revelados.


Por outro lado, celebridades femininas também estavam envolvidas, mas na condição de vítimas. Um dos donos do Nth Room, Cho Joo Bin, confessou ter oferecido dinheiro para que staffs da equipe de atrizes e cantoras como Shin Sekyung e Bomi, do girlgroup Apink, as filmassem ilegalmente e compartilhasse as imagens nas salas do Telegram. O criminoso também tinha como alvos algumas trainees de empresas de entretenimento.


Para trazer visibilidade às petições que exigiam a punição dos criminosos da Nth Room, alguns idols entraram em ação e compartilharam em seus perfis, pedindo que os fãs assinassem e garantissem a prisão dos responsáveis pelos crimes sexuais. Entre os artistas que ajudaram a divulgar o caso, estão Baekhyun e Chanyeol do EXO, elogiados por usarem sua influência em um assunto tão importante. Na época, mais de 2,7 milhões de pessoas assinaram uma petição para a Casa Azul, exigindo que a identidade dos criminosos da Nth Room fosse revelada ao público.


Confira o trailer do documentário Cyber Hell: Exposing an Internet Horror:


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