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[Opinião] A Era de Ouro do K-pop não volta mais? Entenda o motivo da ausência de grandes hits

Com o fim de grupos antigos, mudanças com o mercado ocidental e inserção de novas mídias digitais, o K-pop parece estar estagnando aos poucos


(Divulgação/YG Entertainment/SM Entertainment)

No que diz respeito a produzir hits atemporais que permeiam o imaginário de fãs do gênero musical em questão, a 2ª e a 3ª geração do K-pop foram as grandes precursoras neste quesito. Além de terem inevitavelmente sido as primeiras a conquistar horizontes para além das fronteiras sul-coreanas.


A Ásia passou a ser dominada pelo K-pop para que, mais tarde, países europeus e americanos se tornassem alvos deste gênero musical que não era novo, mas carregava algo inovador em suas canções, performances e videoclipes. Desde visuais extravagantes e andrógenos até coreografias profundamente bem elaboradas guiadas por canções que costumavam grudar na mente por anos a finco, o K-pop tomou novos rumos e avançou conforme o desenvolvimento da tecnologia, as novas mídias digitais e as necessidades dos novos públicos alcançados graças aos avanços da globalização.


Entretanto, a sede um tanto quanto gananciosa pelo sucesso nos Estados Unidos fez com que muitas empresas do ramo do entretenimento decidissem adaptar o K-pop ao máximo, para conquistar públicos para além do nicho reservado — mas nada diminuto — do gênero musical. As canções em língua inglesa passaram a ser uma prioridade, ao mesmo tempo em que a sonoridade foi perdendo sua identidade inicial e passou a se assemelhar cada vez mais com canções pop de países ocidentais falantes de língua inglesa.


Para entender esse fenômeno e os rumos que tem tomado, é preciso revisitar as origens do K-pop para entendê-lo A "era de ouro" do K-pop volta ou não volta mais?




Uma mistura envolvente de música coreana e ritmos internacionais


Há quem diga que o K-pop é uma simplista inspiração nas músicas pop estadunidenses da década de 90 adiante. Contudo, o gênero possui muito mais complexidade do que se imagina no que diz respeito a sonoridade e construção. Ele tem origens no Trot — gênero mais antigo da música pop coreana — e foi inspirado na cultura hip hop da comunidade afro-americana, além da base pop das boybands e girlbands que estava em alta nos Estados Unidos na época, com grupos como Backstreet Boys e Spice Girls.


O estilo musical teve como pioneiro o grupo masculino Seo Taiji & Boys, que estreou no início dos anos 90 em um programa televisivo direcionado para novos artistas. O grupo fez um sucesso surpreendente ao conquistar o público mais jovem e tornou-se febre na televisão e no rádio — que eram as principais fontes de divulgação de canções e artistas — e a partir disso, surgiu uma nova era para a música sul-coreana.



Anos mais tarde, o nicho passou a adotar ritmos e samples do rock, música clássica e até mesmo música latina. O K-pop passou a se tornar um gênero fluído, mas sem perder sua identidade original através das mudanças de tendências da moda e da música por se tratar de algo facilmente adaptável.




O K-pop chegou ao exterior antes mesmo do BTS


Por mais que haja disputas no que diz respeito a qual foi o responsável pela internacionalização de um gênero musical que já era completamente internacional, pode-se dizer que sua projeção para o exterior se deu em fases, que não devem ser desqualificadas em prol da supervalorização do público e das premiações estadunidenses.


Os primeiros passos do K-pop para o exterior se deram com o ganho de popularidade de forma gradativa na China e no Japão, entre o final dos anos 90 e início dos anos 2000. Grupos e artistas como TVXQ, BoA, BEAST e BIGBANG foram os responsáveis por esse salto de popularidade que acabou abrindo novos horizontes para outros artistas e o início de mais uma nova era: o direcionamento de carreiras para as terras nipônicas.


Mesmo com as difíceis relações entre Coreia do Sul e Japão devido a fatores históricos, ainda assim foi possível projetar o K-pop no país que já tinha seus próprios gêneros musicais muito bem consolidados — a alta do J-pop e do J-rock em meados dos anos 2000, por exemplo — e tendências estéticas diversas.


O K-pop passou a utilizar tais tendências como referência na construção das suas noções estéticas e musicais únicas, nunca abandonando a identidade sul-coreana ou cedendo às fortes influências do Japão. Tal resistência fez com que artistas sul-coreanos mantivessem seu posto em meio à popularidade de tantos artistas japoneses até os dias de hoje.


Quanto à expansão para China, foi um processo que enfrentou menor resistência devido à facilidade de crescimento orgânico de alguns artistas sul-coreanos nas paradas chinesas. O caso do BIGBANG é surpreendente, tendo em vista o poder deste antigo quinteto veterano de permanecer por tantos anos em alta na mídia e nos charts do público chinês.



Anos mais tarde, o EXO se mostrou como um grande precursor do K-pop na China por se tratar do primeiro grupo sino-coreano do gênero e o único a realizar lançamentos simultâneos de discos, singles e MVs nos dois idiomas. Este fator fez do EXO o grande responsável pelos bons resultados do gênero musical na China, mesmo após encerrar os lançamentos em mandarim devido ao hallyu ban a partir de 2017.


Neste meio tempo de expansão para a Ásia, o K-pop já conquistava seus primeiros públicos seletos em países das Américas e Europa, mesmo que ainda não fossem números tão expressivos até os anos 2010, período no qual os concertos em países fora do continente asiático passaram a ser cada vez mais frequentes.




A incansável busca por novos públicos


Por se tratar de um gênero musical comercial e vinculado a uma indústria composta por empresas que dependem do lucro para enriquecer patrões e sustentar as carreiras dos artistas dos quais agenciam, é inevitável que a busca por lucro e reconhecimento acabe tornando-se uma prioridade acima da entrega de músicas genuinamente boas, ou até mesmo atemporais.


A corrida em busca do lucro e do reconhecimento por parte do público ocidental — em especial, estadunidense — gerou diversas mudanças em algumas das dinâmicas do K-pop, w uma delas foi a música. Adaptar-se aos desejos e anseios de um público que se quer é majoritário no consumo de K-pop pode ser uma das falhas que levaram a indústria a perder pontos significativos de qualidade.


Além disso, o surgimento de redes baseadas em vídeos rápidos e curtos como o TikTok acabou influenciando e ditando quais músicas fazem sucesso e quais não fazem. O aplicativo e seu algoritmo acabaram dando início a um fenômeno na indústria musical baseado em recomendações de canções através de trends criadas pelos usuários. Desta forma, canções ficam em alta e acabam fixando na cabeça de quem as ouve, independente do nicho ou gosto musical.


Artistas como BTS, TXT, TWICE e outros conseguiram fazer um bom uso da plataforma a seu favor no estabelecimento do que pode-se chamar de “hits”. Contudo, não se trata do sucesso orgânico que tínhamos na década passada, na qual músicas faziam sucesso por muito tempo e permaneceram como grandes hits por anos a fio.


Entretanto, canções como Fantastic Baby do BIGBANG, Growl do EXO, I’m the Best do 2NE1 e outras não conseguiram o posto de “hinos do K-pop” apenas por conta de uma breve colocação elevada em plataformas de música, mas sim por se tratarem de canções cuja estética está diretamente vinculada ao que é o K-pop. São faixas simples, grudentas e, ao mesmo tempo, impossíveis de serem reproduzidas ou comparadas a produções de outros artistas.


Também sente saudade da essência única que o K-pop cultivava nesse período? Comente com o Café com Kimchi em nossas redes sociais!

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