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Netflix pode se consolidar como o melhor streaming para assistir doramas?

A plataforma trouxe acessibilidade para novos públicos e, até o momento, a produção televisiva mais assistida do serviço é sul-coreana (Round 6).

Reprodução/Netflix

A Netflix está, realmente, se empenhando em aumentar a quantidade de séries coreanas em seu catálogo. Só na metade desse mês, o streaming — antes focado em quaisquer outras produções internacionais europeias e em língua inglesa — vai adicionar mais de vinte doramas à plataforma. Mas isso não é nem a pontinha do iceberg!



Nos meses anteriores, vimos o acervo de doramas aumentar consideravelmente, com produções mais antigas como o clássico Boys Over Flower, até doramas originais da plataforma, como Profecia do Inferno ou o adorado My Name. E, nessa nova leva de k-dramas chegando ao catálogo, poderemos contar com grandes títulos como Hwarang, Dream High e Dali and Cocky Prince.


Com as novas aquisições, ficam algumas perguntas: Você reparou na diversidade temporal (novos e antigos), de popularidade (líderes de audiência ou menos conhecidos) e, principalmente, quantidade de produções originais no catálogo da Netflix? Notou que, ao buscar uma categoria apenas com k-dramas, a lista é bem numerosa comparado aos anos anteriores? É possível que a gigante do streaming se torne um império dos doramas e supere concorrentes fortíssimos como Viki Rakuten e KOCOWA? Vamos considerar alguns pontos!


Acessibilidade promovida pela dublagem

Reprodução/Netflix

Um dos diferenciais da Netflix é, primeiro, a popularidade inegável do streaming. O preço pode ser bem mais salgado que outras plataformas como HBO Max e Amazon Prime Video, mas as pessoas continuam assinando e mantendo suas contas. Com o aumento da quantidade de doramas no catálogo, isso faz com que as produções sul-coreanas cheguem a um público maior, mais diverso em idades e preferências. É o primeiro passo para furar a bolha.


Outra característica que torna a Netflix essencial para a difusão de doramas no Brasil é a dublagem. Alguns fãs mais antigos de doramas não tiveram acesso aos conteúdos dublados e, por isso, podem preferir as legendas e serem contra ouvir os personagens de seus atores prediletos em uma voz que não é deles. Mas, essa é a grande sacada para a popularização de k-dramas!



No Brasil, o consumo de novelas é cultural e quase sagrado para a população. E, por serem produções próprias do nosso país ou atrações mexicanas dubladas, o público geral não tem o costume de ler legendas. Isso quando falamos sobre aqueles que sabem ler. Por isso, a possibilidade de assistir a doramas ouvindo os personagens falando em português é inclusivo para os que sempre consumiram o formato televisivo dessa forma.


Somado à incrível usabilidade da plataforma, com interface intuitiva e sem propagandas, a acessibilidade faz com que os doramas cheguem a pessoas que antes não eram o público comum de tais produções.


Produções originais e aumento de assinaturas


A Netflix chegou à Coreia do Sul em 2016, mas foi só em 2018 que a empresa anunciou o primeiro conteúdo original coreano — que, no caso, foi o dorama Mr. Sunshine. A qualidade audiovisual já é um pressuposto no país asiático e, honrando o legado, o serviço de streaming seguiu a cartela e entregou uma grande produção, abrindo a porta para outros originais da plataforma.


Não demorou muito para que a Netflix se tornasse um serviço líder em streaming na Coreia do Sul, com surpreendentes 4,1 milhões de assinantes pagos até 2020 — aumento de 108% em comparação com o ano anterior. Como consequência, os números impulsionaram a empresa a criar uma estratégia mais elaborada para a criação de mais produções originais.


Aumento em pagamento de assinaturas da Netflix na Coreia do Sul, entre 2019 e 2020.

Em 2021, 15 séries e filmes originais coreanos foram produzidos. Já em 2022, pelo menos mais 25 atrações estão programadas para lançar. Esse é um trabalho crescente que só tem sido possível devido ao alto investimento da Netflix no audiovisual da Coreia do Sul, e isso abre espaço para o próximo tópico!


Investimento financeiro faz diferença!

Reprodução/Netflix

Não tem como não falar de números por aqui. Em 2017, antes de se jogar no universo de k-dramas, a gigante do streaming já estava investindo em produções coreanas. No ano em questão, a empresa investiu 50 milhões de dólares no desenvolvimento de Okja, dirigido pelo vencedor do Oscar por Parasita, Bong Joon Ho. Em 2019, forneceu um orçamento de 17 milhões para o dorama Sweet Home e 25 milhões para o drama Kingdom. As três atrações foram um sucesso.


Desde que entrou no mercado coreano, a Netflix investiu mais de 700 milhões de dólares em novas produções no país, valor que inclui mais de 80 séries e filmes. O esperado é que a força do streaming seja ainda maior nos próximos anos, devido à aquisição de dois novos estúdios da empresa, localizados na Coreia do Sul.


Além da produção de conteúdos domésticos, a Netflix também conta com a parceria de outras grandes potências locais como a CJ Entertainment e a imponente emissora JTBC. Em comunicado à imprensa, Amy Reinhard, vice-presidente de operações das novas instalações da empresa, afirmou:


A Netflix está entusiasmada em aprofundar seu investimento na Coreia, bem como em filmes e séries coreanos. Com esses novos estúdios, a Netflix está mais bem posicionada do que nunca para aumentar nossa produção de grandes histórias da Coreia, ao mesmo tempo em que oferece uma variedade de trabalhos relacionados à produção para profissionais talentosos na comunidade criativa da Coreia.

No entanto, a Netflix ainda precisa de melhorias


Para agarrar a coroa e não deixar que ninguém mais a tome, a Netflix precisa atualizar a entrega de doramas pensando no público que consome tais produções há anos: sim, estamos falando dos fãs dinossauros que estavam aqui quando tudo era mato!


Antes de ser tornar parte importante da cultura mainstream, os doramas eram consumidos por um nicho internacional muito fiel e resiliente. Estes nunca tiveram acesso à televisão coreana em seu formato original e sentiram a necessidade de procurar por suas séries favoritas em fansubs (sites de legendas feito por fãs).


A atividade dos fãs que legendam e publicam episódios inteiros de doramas está sendo rapidamente erradicada com a entrada da Netflix no mercado sul-coreano. Essas plataformas paralelas (e, judicialmente, ilegais) estão sendo derrubadas por direitos autorais, mas se destacavam pela única característica que o grande serviço de streaming ainda não se atentou: transmissão simultânea.



O maior problema da Netflix em relação à distribuição de doramas, além da divulgação menos ferrenha do que para outras produções, é o atraso de novos episódios que já passaram na televisão sul-coreana. Para se igualar com os nativos do país, os fãs internacionais preferem estar fielmente atualizados sobre os capítulos de suas atrações favoritas. No entanto, a gigante do streaming não costuma realizar estreias simultâneas com a Coreia do Sul. Algo que o Viki Rakuten, por exemplo, faz regularmente.


Para superar ainda mais seus concorrentes, a Netflix precisa olhar para o nicho internacional que foi pioneiro em direcionar os olhares para produções sul-coreanas. Felizmente, o investimento e o catálogo está crescendo; ainda não é o suficiente, mas pode se tornar a qualquer momento.

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