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Em "Hierarchy" um assassinato e um jovem em busca de vingança vão abalar a alta sociedade

Nos primeiros episódios concedidos com exclusividade pela Netflix, o hierarquia do colégio Jooshin está prestes a ser desafiada.


Imagem de divulgaçã de Hierarchy
(Divulgação/Netflix)

Hierarchy movimentou as redes sociais com seu trailer "polêmico" divulgado pela Netflix, com adolescentes loucos, muitos beijos e cenas de sexo. O K-drama tem tudo para ser mais um título sobre o mundo dos herdeiros de famílias da alta sociedade e com a dose de conflitos familiares e bullying escolar, mas Hierarchy consegue mover peças suficientes para se diferenciar.


O k-drama de sete episódios chega nesta sexta-feira (7) a Netflix. A trama é centrado no dia a dia dos estudantes do Colégio Jooshin, uma instituição diferenciada das outras, cujo os mais ricos a dominam, um seleto grupo de 0,01%. No entanto, um aluno novo consegue encontrar uma brecha nessa hierarquia implacável. Confira o trailer abaixo:




O Café com Kimchi teve acesso antecipado aos quatro primeiros episódios do novo título do catálogo da Netflix. Veja nossas primeiras impressões:


Enredo promissor, mas poucos personagens cativam


Imagem de divulgaçã de Hierarchy
(Divulgação/Netflix)

Hierarchy mostrou tratar mais abertamente certos assuntos que outras produções preferem suavizar, como a vida sem limites de jovens, drogas e violências. A premissa chamou atenção do público pela similaridade com Elite, série espanhola original da Netflix. De fato, há certos pontos em comum, principalmente a questão da entrada de um bolsista e sua adaptação em uma escola privilegiada, a hierarquia entre alunos e um crime que deixa o público atento aos mínimos detalhes para descobrir o culpado. Na verdade, nada muito diferente de outras séries sul-coreanas escolares que envolvam a altas sociedade. Mas pode representar a tentativa da Netflix em trazer um k-drama mais “adulto” para seu catálogo e diversificá-lo após o evidente sucesso das obras sul-coreanas na plataforma.



Sem dúvidas, Hierarchy tem uma história interessante e capaz de surpreender. A produção trata de temas sensíveis, como violência escolar, pressões familiares, homicídio e como os colégios estão dispostos a proteger determinados estudantes. Dessa vez, a obra poupou o público de presenciar momentos tensos de agressões escolares em cenas — apesar dos expectadores saberem que existe — e deu espaço para outra relação conflitante: pais e filhos.


É quase assustador em certos momentos a frieza que Jung Jae-Yi (Roh Jeong-Eui) e Kim Ri-An (Kim Jaewon) são tratados por seus genitores. Principalmente, Jae-Yi constantemente intimidade pelo pai que controla sua vida com punhos de ferro. O trabalho tão esplendido do ator, é capaz de transferir ao público parte da tensão que ele passa para Jae-Yi quando ambos estão em cena.



Hierarchy nos apresenta a cinco personagens principais, mas é fácil notar que a produção precisou sacrificar todo o desenvolvimento dos protagonistas para entregar uma obra mais compacta. Cada um possui seus próprios segredos, mas até agora falham em explorá-loa igualmente e na carisma, com exceção de Kang-Ha (Lee Chae-min) e Yoon He-Ra (Ji Hye-Won).


Imagem de divulgaçã de Hierarchy
(Divulgação/Netflix)

He-Ra é de longe a personagem mais interessante da obra, sendo a típica rica popular. A atriz faz um belo trabalho em não deixar que sua personagem passe despercebida, sabendo entregar doses de animação genuína e sarcasmo. He-Ra tem personalidade e se impõe, deixando claro que está disposta a passar por cima de quem for para manter seu status — ainda que sofra no processo. Kang-Ha também soube causar uma forte impressão, ele não é o bolsista que vai aguentar bullying calado e limpar o chão que os alunos ricos passam, Chae-min nos entrega em cena um aluno desafiador e destemido, que ignora qualquer regra e quase poderia puxar uma revolução entre os bolsistas se os demais não fossem tão apegados e medrosos para agradar os herdeiros.


Jae-Yi tem grande impacto na história, é uma personagem complexa e cheia de segredos, estes que poderiam ser melhor explorados ao longo dos episódios, ao invés de ficar restrita a reta final. A jovem sofre com a constante pressão do pai em manter a imagem perfeita e os constantes abusos emocionais. Sem dúvidas, Jeong-Eui faz um bom trabalho em manter o olhar vázio que a atuação exige na maior parte do tempo. Jae-Yi parece alheia aos acontecimentos ao seu redor, principalmente na presença do pai, quase como uma forma de autodefesa.


Ri-An também se mostra com problemas com a família, mas o personagem parece completamente perdido e mal escrito. O herdeiro caí no cliche de homem rico, intocável e de poucas palavras. Há pouco o que dizer sobre Ri-An até o momento é seu impacto na história é quase nula, seu único objetivo tem a ver com Jae-Yi. Outro personagem que poderia ter tido tudo, mas não recebeu nada é Lee Woo-Jin (Lee Won-Jung), que carrega um segredo relacionado a sua vida amorosa, revelado logo no começo da série, mas Woo Jin não aparece tão regularmente quanto deveria e sua importância na maioria das cenas é quase inexistente, Mas pelo menos, consegue ser um personagem mais interessante de acompanhar do que Ri-An.






Ao longo da história um triangulo amoroso entre Jae-Yi, Kang-Ha e Ri-An é formado, mas é difícil dizer se a falta de desenvolvimento romântico é proposital ou a falha de Jae-Yi em ter qualquer química com Ri-An e depender totalmente da personalidade gentil de Kang-Ha. Outra falha é a sintonia do quarteto de herdeiros protagonistas, descritos como amigos de infância, mas mostraram um envolvimento extremamente precários e na maioria das vezes parecem completamente estranhos uns com os outros.


Imagem de divulgaçã de Hierarchy
(Divulgação/Netflix)

Talvez o maior acerto de Hierarchy foi ter adicionado o enredo de vingança. Os primeiros minutos do k-drama são mornos e demoram para, de fato, mostrar algo que prenda o público, mas quando os verdadeiros objetivos de Kang-Ha são revelados, a perspectiva muda e torna-se mais instigante tentar descobrir o que ele fará em seguida e até onde está disposto a ir para expôr o que os ricos buscam jogar para de baixo do tapete. Além dos conflitos internos que suas decisões podem gerar.


Há muitos segredos por trás da imagem perfeita dos herdeiros da escola Jooshin e o k-drama faz questão de não dar muitos detalhes logo de cara para segurar mais o público. O final de cada episódio é de tirar o fôlego, mas um erro de Hierarchy é não dar continuidade no episódio seguinte a partir da cena final do episódio anterior. Somos obrigados a esperar um flashback para sabermos o que aconteceu.





A Coreia do Sul tem incontáveis títulos sobres herdeiros, suas rotinas e competitividade. Sky Castle e The Penthouse são grandes referências na indústria. Até os episódios apresentados, apesar de saber como prender a atenção, Hierarchy ainda está longe de poder se juntar aos seus veteranos. Ainda restam três episódios, que serão divulgados amanhã (7) e aguardamos por alguma grande reviravolta na história e um desfecho a altura.

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