[ENTREVISTA] Catch The Young captura a nostalgia do primeiro amor com Ideal Type
- Samara Barboza

- 14 de jul. de 2025
- 6 min de leitura
Banda de rock sul-coreana é uma das atrações confirmadas nos festivais em Jeonju e Incheon

(Divulgação / Evermore Entertainment)
A Coreia do Sul não é apenas uma fábrica de grupos promissores, mas também de bandas que buscam mostrar sua autenticidade e poderosa conexão com a música. Com um som que explora diferentes elementos, Catch The Young se concentra em um tema que compreendem bem: a juventude, enquanto buscam adicionar novas particularidades em seus lançamentos e performances.
"Buscamos criar apresentações que sejam impactantes tanto para os olhos quanto para os ouvidos. Pelo que sei, a maioria das bandas não incorpora performance ou coreografia nas apresentações ao vivo, mas nós sim. Isso torna nossos palcos não só musicalmente envolventes, mas também visualmente empolgantes", disse o baterista Jungmo em coletiva de imprensa, a qual o Café com Kimchi esteve presente.
Sani, Kihoon, Namhyun, Junyong e Jungmo estrearam oficialmente como Catch The Young em novembro de 2023, com o EP Catch The Young: Fragments of Youth, que carrega elementos de rock misturados com pop e ballads e pop-rock alternativo. No ano seguinte, o segundo mini-álbum Catch The Young: Fragments of Odyssey deu continuidade ao caminho o qual a banda pretende percorrer.
Conexão com a juventude em diversos festivais

(Divulgação / Evermore Entertainment)
Para destacar sua autenticidade, a banda redefine sua música com o que chama de "YOUTH POP-ROCK", forma como expressa a sensibilidade musical e mensagens únicas através do gênero pop-rock alternativo. Com idades entre 17 a 24 anos, a juventude é o tema principal tratado pelo grupo em suas músicas, com referências as quais diferentes públicos sempre possam se identificar por estarem vivenciando ou já terem passado pela experiência em algum momento da vida.
Como se espera de uma banda, o quinteto possui bastante liberdade criativa em diferentes etapas do processo de produção, com os nomes dos integrantes sendo creditados desde o primeiro miniálbum. O baixista Sani destaca que, embora seja necessário ter bastante conhecimento técnico e teoria musical na hora de compor, o processo como um todo costuma ser bem mais longo do que as pessoas imaginam.
"Na fase inicial de criação, a inspiração é algo que não se pode ignorar. Pode vir de experiências pessoais, algo que vi, ou até mesmo de uma obra de arte, filme ou livro — às vezes penso em como eu teria me sentido naquelas situações. [...] Como somos uma banda, uma das nossas forças é o alto nível de habilidade e profissionalismo de cada membro com seu instrumento. Além das gravações, moldamos a música tocando juntos durante o processo de arranjo. Mesmo na fase de demo, todos participam com ideias e sugestões, o que muitas vezes leva a mudanças na versão final. Já aconteceu de regravarmos tudo do zero. Ser uma banda permite essa flexibilidade e liberdade criativa", explica Sani.
Além dos novos projetos musicais, o Catch The Young tem uma agenda movimentada, com presença confirmada em diversos festivais que acontecerão em breve na Coreia do Sul. A banda compõe pelo segundo ano consecutivo a line-up do Incheon Pentaport Rock Festival e Jeonju Ultimate Music Festival (JUMF), em 1 de agosto e 15 de agosto, respectivamente. E, pela primeira vez, também se apresentará no Sound Planet Festival de 2025, marcado para 13 e 14 de setembro.
Comprometida em entregar uma performance ainda mais refinada em seu segundo ano no JUMF 2025, a banda dividirá o palco com outros artistas de renome, incluindo os japoneses ASIAN KUNG-FU GENERATION, ou Ajikan, que se apresentarão na Coreia do Sul pela primeira vez em mais de 10 anos, uma presença que o baixista Sani está especialmente empolgado para ver ao vivo. Entre as performances marcantes que os integrantes relembram ter presenciado em festivais, Sani mencionou a banda de metal brasileira Sepultura, que se apresentou no Incheon Pentaport Rock Festival no ano passado, assim como o Catch The Young. Segundo ele, a apresentação do Sepultura ofereceu uma nova perspectiva sobre a música brasileira.
"Conhecia apenas estilos brasileiros e latinos como bossa nova e samba. Mas no ano passado, no Pentaport Rock Festival e vi uma banda de metal brasileira chamada Sepultura. Eles foram incríveis! Isso me fez perceber o quanto o metal brasileiro é poderoso, e me deu ainda mais vontade de visitar o Brasil um dia e ver mais apresentações ao vivo de artistas brasileiros", disse Sani.
"Sempre sonhamos em nos apresentar em festivais e fazer shows no exterior, especialmente no Brasil. Adoraríamos conhecer os diversos festivais aí [Brasil], e pessoalmente eu gostaria muito de ver a estátua do Cristo Redentor e conferir o Carnaval também", completou o vocalista Namhyun.
Com três grandes apresentações pela frente, há grandes responsabilidades e desafios na preparação para performances em palcos que atraem públicos tão diversos. "Uma das partes mais difíceis é criar e ensaiar um setlist que se encaixe perfeitamente no tempo disponível. Algo que sempre sentimos é que, especialmente para esse festival, queremos que a performance tenha um fluxo que pareça um curta-metragem com história, não apenas uma sequência de músicas", explica Sani.
Festivais não são novidade para Catch The Young, cujas performances marcaram vários festivais universitários anteriormente. Apresentações em instituições de ensino superior são comuns na Coreia do Sul e, embora o tipo de energia, mentalidade e a forma de conduzir a apresentação sejam diferentes. "Os tradicionais são mais sobre mostrar nossas habilidades e o som da banda ao máximo, os universitários foram mais sobre se divertir juntos e dar conforto aos estudantes cansados de estudar. Então nos aproximamos com uma mentalidade mais leve e descontraída, curtindo o momento com todos", relembrou Namhyun.
Preparação para o 1º álbum completo e "Ideal Type"

(Divulgação / Evermore Entertainment)
Em meio as preparações para apresentações em festivais, o Catch The Young também trabalha em seu primeiro álbum completo. Embora ainda não haja muitos detalhes sobre o disco, como a data de lançamento, os membros garantem que pretendem torná-lo o mais impactante possível, incluindo a exploração de elementos inéditos para mostrar novas facetas aos fãs. "Todos os nossos membros são formados em música, então estamos realmente nos dedicando para tornar nosso primeiro álbum mais profundo, significativo e musicalmente diverso", disse Jungmo.
Podemos dizer que o grupo soube reforçar essa postura com uma "abertura" impactante para o álbum ao escolher The Young Wave como pré-single. Lançada em abril deste ano, a faixa apresenta uma sonoridade e produção poderosas. Com 6 minutos e 18 segundos, ela se concentra puramente em instrumentos, sem vocais. Uma escolha ousada, que evidencia a pluralidade da banda como músicos. Os integrantes estão confiantes na decisão, que tomaram para se autodesafiarem, e esse senso de confiança só aumentou após a recepção positiva do público.
"Como somos uma banda, muito do foco vai para os vocais. Achamos que algumas pessoas poderiam estar curiosas sobre nossas habilidades reais como instrumentistas, e foi isso que nos motivou a lançar essa faixa. Felizmente, a resposta foi muito positiva. Acho que isso ajudou a mostrar que, dos vocais aos instrumentos, somos uma banda que tem o que é preciso e essa música consolidou nossa identidade", apontou o guitarrista Kihoon.
Poucos dias antes do encontro com a imprensa, o Catch The Young reservou mais uma surpresa para os fãs: Ideal Type, uma canção refrescante e leve, mas que possuía uma sonoridade levemente diferente no início. O baixista Sani relembra que houve uma mudança "no tom e na saturação do som", mas a banda optou pela versão final por sentir que ela capturava melhor o clima do grupo e combinava com o verão, estação do ano atual na Coreia do Sul.
O single possui uma forte de synth-rock leve com toques de pop experimental. Conforme explicado pelos integrantes, a escolha por misturar gêneros está ligado ao objetivo de alcançar todas as gerações, incluindo as mais velhas, que se atraem pelo rock, com elementos de pop que agradam os jovens. "Nosso lema como banda é criar músicas que possam tocar todas as gerações", ressaltou o tecladista Junyong.
"Esperamos que os ouvintes possam curtir imaginando seu tipo ideal. Mas, ao mesmo tempo, o título pode ir além de uma pessoa e representar a busca por sonhos ou esperanças, o que pode servir de encorajamento para todos", completou Namhyun.
Ideal Type descreve o sentimento sincero de um jovem ao declarar seu primeiro amor. Com elementos visuais como o sol brilhante, um campo de futebol e um farol em frente ao oceano, o clipe captura os momentos puros da juventude dos cinco amigos, juntamente com a mensagem honesta e direta de confissão. Embora seja um single recente, a canção já causou um grande impacto no quinteto, que a escolheu como a mais pessoal de sua discografia.
Por boa parte do MV, o público não sabe quem é o "tipo ideal" ao qual os jovens se referem. As cenas dão algumas pistas de que os integrantes estão apaixonados, como o momento em que o baterista Jungmo usa uma pulseira com a mensagem "eu te amo". Quando questionado sobre quais palavras gostaria que os fãs resgatassem em acessórios no show, o baterista respondeu: "Existem muitas frases legais, mas como somos uma banda que canta sobre juventude, acho que seria significativo usar uma palavra-chave relacionada a isso. Seja para pulseiras, slogans ou outros itens, gostaria que refletisse nosso lema e o espírito".






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