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Uma viagem para além das cicatrizes de um sonho em comum: O EVNNE retorna pela primeira vez com o mini-álbum “[Un: SEEN]”

O boygroup da JellyFish Entertainment fez seu primeiro comeback nesta segunda (22) com um disco mais maduro e profundo. Confira detalhes!


(Divulgação/JellyFish Entertainment)

Após o lançamento do debut com o disco [Target: ME] em setembro de 2023, o mais novo boygroup da JellyFish Entertainment composto por ex-participantes do reality Boys Planet fez seu primeiro comeback na segunda metade de janeiro. O EVNNE retornou com um conceito mais maduro e faixas mais profundas que buscam representar o lado mais doloroso da jornada em busca do tão sonhado debut na indústria musical, o disco [Un: SEEN] é como um complemento da colorida versão do sonho realizado proposta pelo antecessor.


Com visuais arrojados compostos majoritariamente por cores frias em contraste com a neutralidade do preto e branco, Keita, Park Hanbin, Lee Jeonghyeon, Ji Yunseo, Yoo Seungeon, Mun Junghyun e Park Jihoo apresentam versões mais maduras e demonstram estar mais do que prontos para mergulhar ainda mais fundo no mundo da música. O conceito imagético do disco é dividido em duas partes, sendo uma denominada vulnerable, que visa retratar os integrantes com um certo ar de melancolia juvenil, enquanto RASCAL é a versão mais ousada e madura, com um certo toque de sensualidade e rebeldia.


(Divulgação/JellyFish Entertainment)

O mini-álbum é composto por cinco canções inéditas que contam com a participação direta dos membros do EVNNE na construção das letras e melodias conjuntamente, demonstrando as diversas capacidades do septeto no que diz respeito à música em sua totalidade. As faixas UGLY, SYRUP, K.O. (Keep On)Chase, e Festa são uma viagem pelo subconsciente de artistas que passaram por duros processos em busca do estrelato, além de serem uma bela mensagem de aceitação.





Encontrar a beleza na imperfeição


A faixa-título de [Un: SEEN] é a canção UGLY, que detalha a ideia de aceitar os lados “feios” de si como parte da própria história, mesmo que seja uma palavra um tanto quanto “forte”, o EVNNE procura ressignificá-la na intenção de encorajar os ouvintes a abraçar cada parte de si sem hesitação ou preocupações.


O MV retrata com rebeldia e trajes arrojados uma perspectiva dissidente acerca da juventude e dos padrões pré-estabelecidos. Através da coreografia em conjunto com a música, o clipe soa como um grito de libertação empolgante, que remete aos icônicos MVs da 3ª geração do k-pop.


Provavelmente, as partes mais impactantes da faixa são os raps eletrizantes de Keita, que tornam a atmosfera da canção ainda mais interligada com a estética arrojada do MV. Além de participar ativamente na composição de faixas do EVNNE desde o debut, o integrante japonês participou diretamente da composição do próprio rap.


Apesar de conter uma mensagem densa por trás, a canção é divertida e empolgante, sem dúvidas uma faixa ideal para dançar sem preocupações e com um bom potencial de hit por trazer consigo o melhor do K-pop dos anos 2010. Entretanto, sem deixar de lado o interessantíssimo uso do experimental para construir um instrumental eletrizante que ajuda a criar uma ambientação madura e até mesmo sensual para a title na totalidade.


Aparentemente, uma tendência ascendente na indústria musical para o ano de 2024, em especial, quando observamos o ressurgimento de tendências dos anos 80, 90 e 2000 desde o verão de 2019 até meados de 2023. O EVNNE soube aproveitar muito bem disso e demonstrou maestria ao manter a essência envolvente que circula o conceito do grupo sem se atrelar fielmente a uma estética colorida e excessivamente juvenil.





Vocais poderosos se somam a uma rapline com um flow inigualável


Na sequência de uma faixa-título tão bem construída que cumpre muito bem seu papel, temos a canção SYRUP cuja transição já impressiona logo de cara, mantendo a identidade do disco sem apelar para canções muito semelhantes. Vale ressaltar a participação de Keita, Yunseo e Jeonghyeon na elaboração da letra da música.


Essa faixa demonstra a harmonia e a potência da vocal line, liderada por Yoo Seung-eon, que se tornou popular em sua jornada no Boys Planet devido ao alcance vocal inabalável e um tanto quanto semelhante à técnica de Taeil e Dooyoung (NCT). A canção é uma faixa pop experimental com sintetizadores e harmoniza de forma muito profissional os vocais angelicais e os raps envolventes.


Logo em seguida, a energia sensual é interrompida por K.O. (Keep On) uma faixa dance pop mais juvenil que utiliza de um instrumental mais leve que lembra um pouco canções como New Kidz On The Block e Kids Zone do ZEROBASEONE. A canção é uma fofa mensagem sobre seguir em frente apesar das adversidades e casa muito bem com o resto do disco, trazendo maturidade na letra em contraste com um instrumental mais leve e divertido. 


Se SYRUP e K.O. (Keep On) conseguem ser opostas que dialogam bem, Chase é uma agradável mistura dos dois mundos, unindo sensualidade a uma faixa divertida. Os vocais e o rap parecem se unir para criar uma atmosfera capaz de nos fazer flutuar somados ao experimental que dá um ar ousado e moderno para a canção como um todo, provavelmente uma aposta arrojada, mas que funcionou muito bem no disco. A faixa teve colaboração direta de Keita e Seungeon na composição da letra, demonstrando uma interessante autonomia por parte de um grupo rookie.


Por último, mas não menos importante, temos Festa, uma canção dance pop que faz jus ao nome e conta com a participação de Keita na elaboração da melodia e das linhas de rap. A faixa é jovem e lembra facilmente o álbum de estreia do EVNNE, carregando uma energia divertida com letras adoráveis que transmitem muito bem a mensagem de [Un: SEEN] sem demonstrar imaturidade e encerrando o disco alegremente.





Um disco poderoso com um gostinho de quero mais


Com lançamentos bem sucedidos e uma dinâmica interna funcional tanto em palco quanto nos bastidores, o EVNNE demonstra ter um potencial elevado no que diz respeito a consagrar-se como um dos carros chefes dentre os boygroups da ainda muito recente 5ª geração do k-pop. A capacidade criativa somada a vocais exemplares e uma rap line muito dinâmica para os padrões mais atuais de grupos masculinos rookies são pontos-chave que colocam o grupo em uma posição admirável.


A versatilidade também deve ser apreciada, afinal, a demonstração de se adaptar a conceitos diferentes sem perder a própria essência no caso de um grupo novato é algo visto poucas vezes atualmente. O EVNNE sem sombra de dúvidas cumpriu o prometido neste disco ao apresentar os lados ocultos dos membros, mas sem revelar muito apenas para deixar a curiosidade pairando. 


Por fim, o disco [Un: SEEN] é um ótimo reflexo da jornada complexa de jovens artistas que almejam o sucesso em uma indústria tão complexa. Apesar da mensagem impactante, o disco não se prende a melancolia e consegue explorar o lado ruim junto ao lado bom das coisas. Deste modo, o EVNNE se apresenta como um grupo jovem e maduro na medida certa, capazes não somente de realizar boas performances como também a fazerem música de forma ativa e memorável.




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