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Vale a pena assistir "Além do Guarda-Roupa"? Primeiras impressões do drama brasileiro da HBO Max

Com proposta inovadora, a série chegou ao streaming no dia 20; confira o que achamos dos primeiros episódios


(Reprodução/HBO Max)

O que você faria se o grupo de K-pop que você detesta aparecesse no seu quarto? Isso é o que acontece com a protagonista de Além do Guarda-Roupa, o primeiro k-drama brasileiro produzido pela HBO Max. A série, que chegou ao catálogo da plataforma no dia 20 de junho, tem uma produção totalmente nacional e conta com participação de idols, como o Woojin (ex-Stray Kidz) e o Jinwook (Newkidd). No elenco, estão a atriz estreante Sharon Blanche e a veterana Júlia Rabello, além de uma ponta do Pyong Lee. A série é dirigida por Marcelo Trotta, Paulo Kim e Sabrina Greve, com Geórgia Costa Araújo como produtora executiva. Os primeiros três episódios da trama estão disponíveis no streaming e o restante será lançado semanalmente.



O Café com Kimchi pegou esse gostinho de Além do Guarda-Roupa! Sabemos que a ideia de fazer uma série brasileira com o estilo dos doramas que tanto amamos é desafiadora, então nós demos uma conferida e vamos te dizer se a série vale a pena. Não desligue a TV ainda — a mini crítica vem logo depois dos comerciais:



Sobre o que é Além do Guarda-Roupa?


(Reprodução/HBO Max)

Carol (Sharon Blanche) mora no bairro de Bom Retiro, em São Paulo, e apesar de estar rodeada de pessoas que amam K-pop e a cultura coreana, ela rejeita tudo que vem da Coreia do Sul. Depois de ser abandonada por seu pai, que saiu do Brasil e retornou a Coreia, da morte da mãe e de ser cuidada por uma tia impaciente (Júlia Rabello), ela repete a todo momento sua frase-tema: “Eu não tenho tempo!” Se dividindo entre escola, trabalho e aulas de dança, Carol não sente o cheiro de uma folga, não querendo perder tempo com relacionamentos ou com amizades — ainda mais porque todos no colégio são fãs do grupo de K-pop do momento, o ACT, que ela odeia. Mas é claro que, num dia comum, um portal mágico no guarda-roupa dela se abre, e agora o quarto dela é o refúgio de Kyung (Kim Woojin), um idol que está se escondendo da fama e da eterna cobrança dos fãs, grupo e empresa.


Além do Guarda-Roupa tem uma premissa interessante, apesar de meio bobinha. Esse lance meio Nárnia lembra, sim, os próprios K-dramas, que, às vezes, têm uns plots que causam estranheza de primeira. O carisma da Sharon, a protagonista, salva alguns momentos de vergonha alheia, mas a audiência que não está acostumada com os dramas coreanos não vai curtir o formato da série.



Algumas coisas chamam muita atenção em Além do Guarda-Roupa, uma delas sendo a abordagem da fetichização por pessoas asiáticas. Carol é perseguida por três patricinhas do colégio que insistem em ter uma “amiga coreana” que vai lhes dar dicas de cuidados com a pele e ajudá-las com tudo sobre a Coreia do Sul. Outros alunos, e clientes do café em que ela trabalha, perguntam-na como era morar na Coreia, se ela sabe falar a língua, e seu nome coreano, além de sua tia e prima, gerentes do café, a obrigarem a tirar foto com os clientes fãs de K-pop — “Tire foto com uma coreana!” —, sem perceber como isso desumaniza e torna invisível a identidade da Carol. Sem dúvidas, isso é algo que acontece no Brasil e que merece atenção, então é super interessante que a série traga atenção a isso.


Outro ponto legal é o comportamento de fã — Nayara (Sabrina Nonata) se torna amiga de Carol e é completamente apaixonada pelo ACT, sendo dona da maior fã base deles e estando a par de cada passo e respiro que os integrantes dão. Essa é uma boa forma de dar um alô aos fãs de K-pop e à dedicação, apesar da série obviamente exagerar um pouco.


A cobrança que a personagem da Carol enfrenta é quase um espelho daquela dos idols de K-pop, assim como alguns dilemas dela são parecidos com os de Kyung. Isso faz com que os personagens se aproximem não somente na tela, mas também na visão dos espectadores. Apesar de não se darem muito bem num primeiro momento, dá para ver que a birra deles é só por desentendimento. A trama fica mais gostosinha de assistir quando ela apresenta Daeho (Lee Jinwook), que parece gostar muito da Carol e é mais bonzinho, diferente do bad boy.



O dorama brasileiro é divertido no sentido de ser aquela diversão bobinha e inofensiva. Quem começa a assistir Além do Guarda-Roupa esperando algo avant-garde e diferente vai se decepcionar, porque a série é uma farofa mesmo. Caindo nos clichês dos doramas, como personagens caindo e música-tema em toda aparição do interesse amoroso, a série é um K-drama dos anos 2000 revitalizado e em português, com toques de paçoca e cultura brasileira.


Devo assistir Além do Guarda-Roupa?


(Reprodução/HBO Max)

Se você precisa de algo para deixar ao fundo enquanto faz as unhas, escreve trabalho da faculdade, ou para relaxar numa sexta-feira depois de uma semana estressante no trabalho, sim. A série é uma dose perfeita de risadas bobas e falas clichês, mas a proposta funciona na medida do possível. Não parece ser algo que vai deixar uma marca no mercado, mas pode ser algo que vai estar no repeat de prazer culposo de alguém.


Dito isso, é muito bom ver que, finalmente, plataformas de streaming estão dando atenção à onda Hallyu e a força que ela tem no Brasil. O esforço da HBO Max em trazer um conteúdo autêntico, novo e que bebe da fonte das obras que inspiraram a criação é super legal de se ver, além de trazer uma integração enorme entre fãs brasileiros e a cultura asiática. Mesmo com um roteiro com algumas falhas e uma direção que te faz torcer a cabeça em confusão, Além do Guarda-Roupa faz valer a pena ao menos os primeiros três episódios.



Você vai assistir Além do Guarda-Roupa? Conta para o Café com Kimchi nas redes sociais!


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