Review | EXO, em "REVERXE", resgata a sua era de ouro diante das sombras de uma ausência
- Leonardo Fernandes

- há 47 minutos
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Retorno do grupo com full album foi divulgado em 19 de janeiro pela SM Entertainment; leia a crítica


(Divulgação/SM Entertainment)
Num passado não muito longínquo, os comebacks de um certo grupo da SM Entertainment costumavam ser verdadeiros fenômenos culturais. Resetavam as tendências do ano, vendiam milhões e conquistavam troféus. Dessa forma, não é por acaso que o EXO, no disco REVERXE, tente emular as características de um legado icônico que os tornou tão grandes por mais de uma década.
Divulgado em 19 janeiro, o full album do grupo é estimulante na hora de reunir o créme de la créme da sua discografia: canções bem-produzidas, visuais deslumbrantes no tão sonhado conceito royal, e vocais tão distintos e reconhecíveis no K-pop.
Apesar disso, o projeto aterrissa em 2026 como o símbolo de uma cisma; o atestado de que uma marca continuará a existir apesar de certas ausências (ou no caso, três muito saudosas). O EXO em REVERXE, no meio de faixas diversas e contagiantes, nos deixa sonhando a respeito de como as coisas poderiam ter sido se a história do grupo não fosse tão instável.
O EXO, no disco REVERXE, celebra uma carreira pautada no eletrônico e no r&b
Como o próprio nome do comeback diz, o EXO deseja "rebobinar" sua história; voltar às raízes que os fizeram tão fortes em projetos anteriores. Por isso, REVERXE (lido como "reverse") inicia com Crown, uma canção estrondosa que carrega a mensagem sobre um título, ou uma coroa, que nunca será roubada. Inclusive, é formidável ver o EXO voltando às experimentações com o EDM e dance pop, algo que ficou demasiadamente adormecido no álbum EXIST, de 2023.
O MV até parece relembrar os videoclipes das 2ª e 3ª gerações do K-pop, de visuais misteriosos e fatais, figurinos extravagantes e cenários dark. Crown é bastante imponente, e faz jus à vontade do EXO, com o REVERXE, de celebrar seus tempos áureos em projetos como OVERDOSE e MAMA, que eram muito expressivos no world building e no conceito inicial do boygroup de entidades extraterrestres superpoderosas.
A tracklist tenta se manter sólida na experimentação nas faixas seguintes, Back It Up e Crazy. Enquanto uma brinca com elementos do trap para criar uma melodia bastante agitada e "furiosa", a outra tenta descobrir o que quer ser. Aliás, Crazy talvez seja um dos pontos mais baixos do comeback, como se a SM quisesse reproduzir a magia feita na primeira parte da tracklist do OBSESSION, de 2019; nem o flerte com o funk brasileiro brilhou...
Contudo, a escorregada nas duas músicas é contornada com Suffocate, uma faixa muito chique e feita para os entusiastas do lado mais synth do EXO. E em seguida, Moonlight Shadows surge para representar as baladas românticas de REVERXE, sofisticada aos ouvidos, que homenageia a longa estrada do boygroup com o r&b. Pontos para ela que entrou para o Top 5 do álbum.
A magia da segunda parte do CD prossegue com Back Pocket e Touch & Go, pedras preciosas do REVERXE que expressam o longevo charme do conjunto no hip-hop. O EXO sempre carregou a expertise de, trabalhando com os produtores certos, tecer uma discografia que instiga o ouvinte, e essas duas músicas poderão futuramente ocupar muitas listas de indicações de b-sides.
Apesar do trabalho feito com esmero, falta algo...
O EXO, no REVERXE, encerra a comemoração nostálgica da sua era de ouro com Flatline, uma faixa pop rock que parece um pouco descolada da tracklist, mas que ainda assim fortalece a emoção que o grupo deseja transmitir no CD. E finalizando com a melodiosa I'm Home, eles terminam o comeback com esmero e uma verdadeira homenagem aos estilos que fortaleceram seu império musical no passado.
Entretanto, falta algo. É preciso abordar o tal "elefante na sala". É impossível não imaginar como as vozes de Baekhyun, Xiumin e Chen soariam neste álbum inédito, integrados à formação e acrescentando camadas extraordinárias às canções do REVERXE.
É uma sensação deveras agridoce presenciar o retorno de um grupo tão primal à história do K-pop, diante da complexa e desgastante situação envolvendo artistas em busca de seus devidos direitos. E não há nada a fazer quando tais artistas são quase que engolidos por uma indústria autofágica. São vacâncias insubstituíveis.
E a roda continua a girar. Não apenas com o boygroup, mas com todos os conjuntos que dedicaram suas carreiras ao entretenimento. Em paralelo à ausência de três partes de seu DNA, o EXO entrega no REVERXE uma visita ao museu de alguns de seus maiores feitos musicais, apesar de deslizes pontuais na tracklist. Se é o EXO, há qualidade; mas o custo pode ser alto demais para um grupo cuja história é adoecida em vários aspectos. Até que ponto vale carregar uma coroa?
Cabe a cada fã, em seu devido direito, escolher se ouvirá o disco ou não. Porém, uma coisa é certa: a discografia do EXO continua a sustentar seu elevado status entre os projetos de tantos contemporâneos. Até os momentos mais fracos são acima da média.
À sombra de uma ausência, o sexteto vigente retorna com o que faz de melhor. Mas a ferida, para alguns, pode doer muito quando mantida aberta.
Escute "REVERXE", o oitavo álbum do EXO, logo abaixo:









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