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Review | "Things I Can’t Say LOve" e a evolução musical do OnlyOneOf no K-pop

Novo álbum lançado pelo grupo revela destaques incríveis e mostra, acima de tudo, o quão coesos são em sua evolução artística.


Imagem promocional de comeback do grupo de K-pop OnlyOneOf

OnlyOneOf é um dos grupos masculinos mais interessantes da atualidade. Isso porque seus lançamentos buscam sempre apresentar algo novo dentro do espaço criativo em que estão inseridos. Dessa forma, não é difícil encontrar músicas que vão do experimentalismo de gênero ao pop mais básico possível; ambas as direções são tomadas por coesão.


O novo disco lançado por eles, Things I Can’t Say LOve, é mais um exemplo dessa linha tênue que eles expressam desde a estreia em 2019. E, embora curto, o trabalho consegue expor parte das intenções concretas do grupo em caminhar pelas tendências atuais enquanto cria, a partir de sua própria história, algo inusitado e atencioso.




É justamente esse sentimento que exerce um peso importante para cativar o público diante da mensagem trazida na faixa-título dOpamine, que, embora dispersa pelo instrumental de drum n' bass britânico — com batidas aceleradas como o ritmo do coração —, ainda permanece acessível porque se trata de amor.






Temática apaixonante 


A música brinca com os efeitos da dopamina e sua carga neurotransmissora no corpo humano, instigando a emoção e o prazer do amor. É inteligente porque se o nome do EP remete às coisas que não são ditas quando amamos, as músicas, por outro lado, acabam fazendo esse trabalho de uma forma tão literal quanto óbvia.


E isso não é um erro, pelo contrário, faz parte da linguagem com que a sensualidade e a paixão andam de mãos dadas nas obras de OnlyOneOf. Todas essas viradas na consciência servem, na verdade, para classificar aquele sentido atencioso, mencionado acima, que pode ser facilmente encontrado nos trabalhos do grupo.


Gravity, por exemplo, composta por Nine, não exige alterações de ritmo ou qualquer outro elemento (presente em projetos anteriores a este) que causaria estranheza. É portanto com base na sutileza com que o som retrô e atmosférico aqui se apresenta que notamos uma maior dedicação dos integrantes à paixão, fundamento narrativo.






Sequência de acertos


Para muitos fãs de k-pop, a distância do OnlyOneOf em relação aos grupos que dominam as paradas é sentida pela liberdade muitas vezes descritiva no som e na imagem que compõem seu conceito. Ou seja, apesar da microdinâmica de dispensar formalidades, a música por eles representada vai além de simples colocações.


É por isso que a faixa de abertura, thigs i can’t say lOve - Instrumental, faz o papel de um arranjo estético e não apenas de uma música utilizada por utilizar, à toa. É preciso ter noção dos desafios artísticos que eles enfrentam para trazer gestos como esse — que muitas vezes passa despercebido pelo grande público, que também tende a evitar o interesse por grupos menores.


Parte desse erro dos fãs de k-pop é que eles não conseguem entender a sequência de acertos que foram os últimos discos do OnlyOneOf, como Instinct, Pt. 2 e seOul cOllectiOn. Things I Can’t Say LOve faz, em conclusão, parte desta excelente nova fase em que o grupo se encontra. O único erro é a curta duração que poderia, dados todos os bons elementos, servir músicas ainda mais interessantes, embora isso não seja um problema em si.




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