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MAGICMAN 2 no Brasil é a prova que todos deveriam vivenciar Jackson Wang ao menos uma vez

De volta ao Brasil, o artista conduziu o público da Farmasi Arena, no Rio de Janeiro, por uma jornada emocional no último sábado (25)


(Café com Kimchi/Team Wang/Reprodução)

Depois de um elogiado show no Suhai Music Hall, em São Paulo, Jackson Wang tinha um encontro marcado com o Rio de Janeiro para a segunda apresentação da turnê MAGICMAN II no Brasil. O cantor subiu ao palco da Farmasi Arena no sábado (25) para fazer história: com uma entrega e presença de palco que só ele sabe oferecer, também se tornou o primeiro solista chinês a se apresentar na cidade carioca. E uma coisa é fato: você não sai o mesmo depois de um show de Jackson Wang.


Com uma fila que se estendia por um longo percurso na Avenida Embaixador Abelardo Bueno, em frente à Farmasi Arena, o público começou a se aglomerar desde cedo, indicando uma casa cheia no fim do dia. Após a abertura dos portões, a ansiedade só aumentou e, às 21h20, as luzes se apagaram: a atração da noite surgiu no alto de uma plataforma quando o telão central se abriu.



A partir dali, o público percorreu a narrativa construída para o MAGICMAN II que, apesar de contar com um setlist mais enxuto, não fez o show parecer curto em nenhum momento. Pelo contrário, a apresentação se estendeu até 23h40 e, ainda assim, com energia de sobra do público pedindo por mais.



Uma jornada íntima guiada por Jackson Wang


(Samara Barboza/Café com Kimchi)

Longe de ser sua primeira experiência no Brasil, Jackson soube dar continuidade ao espetáculo grandioso iniciado no primeiro MAGICMAN. A nova fase evidencia sua magnitude a partir do íntimo, explorando a lacuna entre a persona e o indivíduo longe das câmeras. Com uma turnê estruturada em blocos narrativos bem construídos, Jackson compartilha, acima de tudo, vulnerabilidades e deixa clara a mensagem que o público deve levar para casa.


Ao som de “High Alone”, ele sobe ao palco da Farmasi Arena envolto em uma atmosfera sombria e impactante, ideal para esse primeiro contato. Isolado no alto da plataforma, o início do primeiro ato já evidencia sua proposta: mostrar a solidão na fama. Em seguida, o clima denso ganha um toque de sensualidade com “Access”. Já “Hate to Love” aprofunda o conflito emocional, abordando também a dificuldade de confiar no outro e reforçando a solidão..


As três primeiras músicas formam uma sequência arrebatadora, marcada por coreografias precisas, jogos de luz bem executados e o primeiro grande impacto da presença dominante de Jackson Wang no palco.


Apesar de ter raízes no K-pop, o show de Jackson está longe de se parecer com o que geralmente vemos. Não há pausas para ments ou fanservice tradicional entre uma apresentação e outra. Em vez disso, Jackson constrói sua conexão com o público de outras formas: demonstrando gratidão genuína pelo momento, valorizando a presença dos fãs diante do palco e entregando um espetáculo capaz de mudar a perspectiva de quem está ali para assisti-lo. É como se buscasse deixar uma marca verdadeira em cada lugar por onde passa, e não apenas se apresentar.



Shadows on The Wall”, “Contact” e “Closer” reforçam essa tentativa de quebrar a barreira entre artista e público. É o primeiro momento em que os fãs são convidados a subir no palco. O momento provocou gritos frenéticos da plateia, afinal, todos queriam a chance de estar ali, mas também foi marcado pela alegria coletiva ao ver as mulheres escolhidas emocionadas em viver aquela experiência.




Depois de fortes emoções, o segundo ato desacelera o ritmo para abrir espaço para algumas das músicas mais bonitas de Jackson. Nessa etapa, “Not For Me” evidencia a vulnerabilidade após o período de solidão, seguida por “Blue”, acompanhada por um coro emocionado do público do Rio de Janeiro, que ansiava por aquele momento. “Everything” aprofunda a sensibilidade.



A construção do setlist e a postura do artista no palco reforçam como no MAGICMAN 2 nada é por acaso. O cantor, que estava sentado durante “Everything”, se levanta para “Long Gone”, uma faixa inédita apresentada na turnê. A canção funciona tanto como uma transição natural para o terceiro ato quanto como um indicativo de que algumas coisas precisam ser deixadas para trás.


O terceiro ato revisita sucessos de lançamentos anteriores, junto com canções que também integram o álbum. A abertura traz uma coreografia potente, apresentando as habilidades de dança pelas quais Jackson sempre foi reconhecido. As faixas mais energéticas também se conectam à mensagem reforçada em sua conversa com o público: não há nada de errado em ser egoísta às vezes. Com “GBAD”, um dos momentos mais marcantes da noite, o público cantou ainda mais alto e acompanhou o cantor até em um trecho a cappella.


Jackson mal dá tempo para a plateia se recuperar entre um ato e outro. As poucas pausas, usadas para rápidas trocas de figurino, são preenchidas por VCRs curtos e impressiona pela rapidez do artista em retomar o fôlego e seguir em frente. A energia quase de "balada" dominante no momento anterior dá lugar ao quarto ato, no qual o público é convidado a mergulhar no lado mais íntimo do artista.



Nesse trecho, Jackson faz uma bela homenagem a todos que contribuíram para que ele se tornasse quem é hoje: família, amigos, fãs e o GOT7. Entre lágrimas e alguns fungados ao redor da arena, o público acompanha “Dear”, iniciada com o cantor de costas para a plateia, cantando diante de uma foto dos pais. Em seguida, vieram “Sophie Ricky” e, para encerrar o ato, a emocionante “Made Me a Man”, um agradecimento de Jackson por ser quem é.


(Samara Barboza/Café com Kimchi)

Para o encore, a barreira entre fã e artista é mais uma vez quebrada, com Jackson convidando, na hora, algumas pessoas para se juntarem a ele no palco. Ainda mais solto e descontraído, o artista assume uma postura firme e direta: ele quer aquelas pessoas ali com ele, inclusive discute de forma cômica para uma dupla da cadeira entenda que eles foram escolhidos para subir.


Não são apenas os escolhidos que vivem o momento intesamente. O encore se forma um frenesi coletivo e todos conseguem sentir e aproveitar, à sua maneira, a energia conduzida por Jackson. Inclusive, os dançarinos da turnê também se destacam não só pelas habilidades de dança, mas pelo carisma. Facilmente contagiados pela energia brasileira, entram nas brincadeiras do público e deixam claro como também estão se divertindo. Em determinado momento, Jackson até brinca para olharmos tanto para os dançarinos e olhar mais para ele.



Como se não bastasse, o artista ainda encerra com uma mensagem esperançosa: seu novo álbum está pronto, os planos para a próxima turnê já estão em andamento e, claro, permanece o desejo de retornar ao país pela terceira vez.


Um espetáculo que marca antes, durante e depois


A construção de MAGICMAN 2 é coesa e envolvente de acompanhar, partindo de um primeiro ato mais denso até chegar a um lado mais íntimo no quarto momento. Pode-se dizer que o espetáculo funciona como uma jornada emocional conduzida por Jackson com precisão. Mais do que entreter, ele reforça o desejo de que os fãs saiam diferentes de como entraram.



Em seu discurso, ele incentiva o público a assumir o protagonismo de suas próprias vidas e a tomar as rédeas, retomando a mensagem de “GBAD”: “egoísmo não é algo ruim, viva a sua própria vida”. Não soa como um discurso vazio, mas como um conselho sincero para que cada um busque evoluir.


Esse posicionamento torna Jackson tão autêntico e genuíno no palco. Nos momentos de interação, ele se mostra espontâneo, distante da imagem impecável e controlada que muitas vezes associamos ao K-pop. Desde a primeira vez que ouvi MAGICMAN 2, ficou claro o quanto ele é corajoso ao abordar temas que poucos idols se arriscariam a explorar.


O cantor é, em muitos momentos, é uma força quase imprevisível no palco. Ele se solta sem medo: fala palavrões, brinca, dá leves “broncas” no público de forma bem-humorada até que todos entrem na energia do show. Jackson não parece preocupado com como será percebido, e este é um dos pontos o que o torna tão interessante de acompanhar, um artista liberto das amarras de uma indústria cuja autenticidade é frequentemente limitada. A sensação durante e após um show como este é que todos deveriam ter a experiência arrebatadora de Jackson Wang ao menos uma vez.



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