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[Resenha] Apesar de afobada, Mina Finch traz um AURA mais potente e maduro nos livros 3 e 4 de “K-pop Academy”

Com desenvolvimento raso, as aventuras na escola de trainees se intensificam ainda mais


Apesar de afobada, Mina Finch traz um AURA mais potente e maduro para os livros 3 e 4 de “K-pop Academy”
(Divulgação / Intrínseca)

A série K-pop Academy retorna com mais dois livros, dando foco para duas outras personagens e integrantes do AURA, grupo fictício de K-pop criado por Mina Finch para compor as páginas. Entre criaturas mágicas e desafios escolares, o quarteto passa por situações que as tornam mais maduras e preparadas para lidar com suas próximas aventuras — sejam elas no palco ou nos bastidores. 


O Som do Cristal e Os Guardiões do Brilho dão continuidade a série K-pop Academy. As obras sucedem A Maldição da Fama e O Palco das Sombras, e reúnem a magia do K-pop com as criaturas fantasiosas mais misteriosas — e um toque de folclore sul-coreano. Dessa vez, os livros dão foco, respectivamente, às personagens Tae e Soojin, que se sentem testadas tanto pelo sobrenatural quanto por desafios pessoais, seguindo a mesma fórmula das histórias anteriores. 


Em O Som do Cristal, Tae tenta encontrar a resposta para os conflitos de opiniões que o AURA tem vivido durante uma atividade escolar. A rapper do grupo encontra um tambor misterioso feito de cristal. De dentro dele, aparece uma criatura azul e peluda cheia de energia, um Dokkaebi, que é descrito pelo folclore coreano como um duende travesso que surge a partir de algum objeto. Elas o chamam de Tokki, e nesse caso sua conexão especial é com o tambor de cristal. Tanto ele quanto o instrumento são importantes para o desenvolvimento da história. 



Tokki traz um certo encanto para a trama, é fácil se apegar a ele tanto quanto as personagens se apegam. A criatura consegue preencher bem o que há de monótono no livro e traz total sentido para a história. Mas ele é “descartado” pela autora no quarto livro para dar espaço para os guardiões. Em Os Guardiões do Brilho as garotas enfrentam energias negativas que pairam sobre a escola, atraindo espíritos ruins. Junto à parte sobrenatural da obra, Soojin aborda suas inseguranças quanto uma nepobaby da indústria de entretenimento coreano e as inseguranças que isso a causam. 


Desde que Hana chega à escola no primeiro livro, as meninas foram escolhidas por ela para viverem uma vida dupla, dividida entre a árdua rotina de trainee de K-pop e os desafios de combater o mal que cerca a escola. Assim, cada uma das obras exibe o ponto de vista do quarteto perante aos desafios, que não são poucos e nem simples. Mas desde o início, a autora demonstra dificuldades para desenvolver tanto a história quanto seus personagens, e isso perdura nos livros seguintes. 



Novas histórias, mesmos rumos


A ideia de focar cada livro em uma protagonista, torna a série como um todo mais dinâmica. Apresentar uma criatura a cada obra seria tão dinâmico quanto, mas quando bem aprofundadas. A sensação que fica, é que Mina Finch sente uma certa pressa em exibir suas ideias, mesmo que aquilo não seja tão aprofundado quanto merece. Em um mundo ideal, o universo de K-pop Academy teria tanto as personagens quanto as criaturas que a cercam um pouco mais trabalhadas do que vemos. 



Assim como nos dois primeiros livros, é fácil perceber a dificuldade da autora em sair de sua zona de conforto. Ela se apegou em uma fórmula, e toda a história passa pelos mesmos caminhos: conflitos pessoais, em grupo e uma batalha entre as meninas e as criaturas. Tudo isso aplicado de forma rasa. 


Um outro padrão comum nos livros é a dificuldade de entrelaçar os ocorridos e características da história, Mina parece se desapegar muito fácil do que já aconteceu para trazer novas aventuras, alguns fatores se conectam muito pouco. É algo que acontece com Tokki, outros personagens secundários e até mesmo parte da jornada do AURA. Mais uma vez, mostrando como a autora tem pressa para desenvolver sua série, que poderia ter seu conceito mais bem trabalhado.


A sensibilidade por trás de K-pop Academy


Para além de todos os pontos fracos, os objetivos de K-pop Academy são bem claros: a amizade do AURA e a fragilidade da energia da escola. Ambas as características são pontos fortes e consistentes e se complementam muito bem, enquanto as meninas estão bem entre si, mais fortes e estáveis elas estão para cuidar dos grandes problemas da escola. 


Principalmente nos livros 3 e 4, mesmo com um desenvolvimento tímido, é notável como cada uma das integrantes conseguiram amadurecer e não deixar que o medo as impeçam de proteger a escola. E cada desafio pessoal fica de aprendizado para lidar com tudo, tanto como guerreiras quanto artistas. 



A forma como os problemas sobrenaturais estão interligados com os conflitos humanos é a essência do AURA e do K-pop Academy. Muitas vezes, o fantasioso “perde” espaço, e o que fica em jogo é o que está pesando dentro de cada uma das meninas, dando forma para que a história flua. Por isso a série de Mina Finch merecia ter um desenvolvimento mais ousado. 


As próximas aventuras do AURA


Mas a história do AURA não para por aí, em agosto The Song of Tomorrow (ou A Canção do Amanhã, em tradução literal) e The Tiger’s Eye (o Olho do Tigre) vem para dar continuidade ao K-pop Academy. O que se espera é que as obras respondam perguntas e respeitem a conexão de um livro com o outro. 


Quais serão as novas criaturas? A autora pretende concluir a saga com essas histórias? 


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