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[Resenha] De forma rasa, “K-pop Academy” tenta ser uma aventura tão boa quanto “Guerreiras do K-pop”

A obra infanto-juvenil mostra um grupo de amigas lutando para salvar seu colégio


[Resenha] De forma rasa, “K-pop Academy” tenta ser uma aventura tão boa quanto “Guerreiras do K-pop
(Divulgação / Intrínseca)

Um girlgroup de K-pop vivendo uma vida dupla e lutando contra demônios? Essa história já foi contada antes. Mas agora, quem toma espaço é Hana e suas amigas Nari, Tae e Soojin em um universo diferente criado por Mina Finch através da série de livros K-pop Academy. As obras O Palco das Sombras e A Maldição da Fama tentam propor algo novo em uma realidade em que todos os olhares já estão voltados para Guerreiras do K-pop


Lançados pela Intrínseca em março de 2026, os livros contam a história de Hana, que entra para a criteriosa K-pop Academy, uma escola para futuros artistas de K-pop. Ali eles se tornam trainees, encontram seus grupos e colocam em prática suas habilidades para debutar, da mesma forma que os idols fazem na vida real. Mas o que Hana não esperava é que sua missão ali era algo além, sua experiência com artes marciais a colocaram sob o olhar da direção do colégio para combater sombras misteriosas que se alimentam das inseguranças, medos e sentimentos negativos dos alunos. 


Hana sabe que sua missão não pode ser feita sozinha e se junta com a dupla Nari e Tae, e posteriormente Soojin se torna a peça chave para o grupo, que se torna um quarteto chamado AURA. Além das atividades curriculares, as meninas também passam por treinamentos intensos para lidar com as sombras que tem tornado o ambiente escolar cada vez mais inseguro.




Quatro amigas são escolhidas para proteger a escola


Falando sobre a primeira obra, O Palco das Sombras, a história se desenrola muito rápido, o sentimento de suspense e curiosidade não tem chance, e qualquer possibilidade de sentir aquele friozinho na barriga com cada página do livro passa batido. Esses pontos dificultam a conexão com os personagens, com a história e até mesmo de ter expectativas e palpites do que pode acontecer a seguir. Um ritmo mais lento poderia proporcionar uma profundidade maior para detalhes importantes. 


A Maldição da Fama tem foco em Nari, integrante do AURA que enfrenta sua própria batalha pessoal após ter sido afetada pelas sombras. Dessa vez a história vem com uma pitada maior de suspense, começa se desenrolando com um pouco mais de profundidade, e mostra como as sombras voltaram mais fortes. O grupo parece estar mais confiante para lidar com os problemas. É aí que se espera que os novos desafios tornem tudo mais cativante, mas o livro falha nesse aspecto. E ainda, a maldição criada para movimentar todo o arco da história passa totalmente sem destaque.


Ao analisar o conjunto da série, é um gênero que chama atenção e cria muitas expectativas, principalmente após o sucesso estrondoso de K-pop Demon Hunters. Porém tudo aquilo que K-pop Academy tem de essência própria é explorado de forma totalmente precária, sem surpresas, sem impressionar. A ideia de surfar na hype de um projeto tão original quanto o filme da Netflix pode chamar atenção quando bem executada, mas Mina Finch falhou em muitos aspectos.



A autora traz em suas páginas uma espécie de bastidores do mundo dos idols. Ela apresenta um pouco da vida puxada de trainee, mas com um toque de fantasia, um gênero que dá possibilidades ilimitadas, e mesmo assim não soube colocá-las em suas páginas da forma que a história merece. Uma das dificuldades é conseguir expressar bem a sua mágica, principalmente durante os conflitos com as sombras, que são momentos de ação que deveriam trazer ainda mais vida, mas não é o que acontece, principalmente na batalha final que parece corriqueira. 


Conectando os dois livros, nada muito novo é apresentado, levando a questionar a necessidade de separar a história em duas partes. A expectativa era de que o segundo livro pudesse trazer à tona o que ficou enigmático no primeiro, mas quanto mais avança, a história deixa muitas dúvidas. Por que as sombras surgiram? Qual sua origem? Nenhuma pergunta das mais óbvias é respondida. 




Personagens poderosos , mas que não brilham


K-pop Academy coloca em cena personagens com individualidades interessantes, batalhas pessoais enigmáticas e envolventes. Conforme a história se desenvolve a vontade de conhecê-los é grande, mas eles também sofrem com a superficialidade geral das obras. 


Garotas incríveis, talentosas e divertidas que vivem uma vida dupla além de lidar com os desafios da escola, seus medos e inseguranças individuais. É assim que as meninas do AURA podem ser descritas, mas ao mesmo tempo a autora não nos permite aproximar mais e conhecer todas as camadas de cada uma delas. É difícil sentir empatia, torcer e se identificar com características que são apresentadas de forma tão crua e impessoal. 


Mesmo que de forma rasa, o quarteto é sempre colocado como parte central da história. Personagens secundários sempre tem pouco destaque, mesmo com qualquer indício de serem importantes para o decorrer dos fatos, a possibilidade de ter um ponto de vista diferente e empolgante através da chegada de outras pessoas é inexistente. A aparição do VORTEX, um boygroup muito presente em A Maldição da Fama parece um tanto quanto promissora, mas no final é como se eles estivessem ali apenas para preencher espaço.



Impressões gerais 


Mina Finch tinha em suas mãos todos os recursos para escrever uma boa história. Poderia proporcionar uma leitura fácil, leve e divertida. Mas a impressão geral que fica, é que a série K-pop Academy, apresentada para o público é um rascunho, uma versão resumida do que uma boa história poderia ser se fosse explorada como merecia. O resultado final, mesmo que com poucas páginas, faz com que a leitura seja pouco memorável e de certa forma difícil. 



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