[ENTREVISTA] iKON celebra primeira vez no Brasil e revisita trajetória: “Ainda bem que não demoramos mais”
- Samara Barboza

- há 1 hora
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Em coletiva antes da FOUREVER TOUR, integrantes abordaram identidade, liberdade musical e o primeiro encontro com os fãs do brasileiros

(Arquivo pessoal/Samara Barboza)
O Brasil tem se consolidado como palco de “primeiras vezes” para artistas que ajudaram a construir a história da segunda e da terceira geração do K-pop. Agora, foi a vez do iKON escrever seu primeiro capítulo no país: o grupo incluiu o Brasil na FOUREVER TOUR e se apresentou em São Paulo, no último domingo (30).
Responsáveis por uma das músicas mais marcantes da terceira geração do K-pop, Love Scenario, os integrantes também carregam uma extensa lista de hits que ajudaram a definir sua identidade, como Rhythm Ta, Dumb & Dumber, B-Day e Bling Bling. Ao longo da carreira, o iKON ficou conhecido por transitar pelo hip-hop e pelo rap, combinando essa sonoridade mais enérgica com um lado melódico que ganhou destaque em faixas como Goodbye Road, My Type e Airplane.
Mesmo após uma década de carreira e diversas turnês internacionais, faltava um encontro na trajetória do iKON: o Brasil. Pela primeira vez, os integrantes ficaram frente a frente com os iKONICs brasileiros, em um momento que reuniu a ansiedade de quem esperou anos para vê-los e a curiosidade de quem finalmente descobria como seria essa conexão.
Durante a coletiva de imprensa, o grupo fez questão de falar sobre a expectativa para o encontro com os fãs. No palco, a resposta veio em forma de gritos, lágrimas e uma energia que mostrou que, para os iKONICs, aquela espera de tantos anos finalmente tinha chegado ao fim.
O encontro que os iKONICs brasileiros esperaram por uma década

(Arquivo pessoal/Samara Barboza)
Em coletiva de imprensa realizada antes das apresentações, o iKON respondeu ao Café com Kimchi que já desejavam se apresentar no Brasil e estavam ansiosos para encontrar os iKONICs brasileiros.
SONG: Nós também queríamos muito ver os fãs brasileiros. Queríamos muito nos apresentar no Brasil e ouvimos de outras pessoas que os fãs brasileiros sabem muito como se divertir. Então, estamos muito animados para nos apresentar na frente de vocês. Nossa apresentação e nossa performance não são feitas apenas por nós. A gente sabe que boa parte dela também é feita pelos fãs.
Ao longo da conversa com a imprensa, os quatro integrantes também falaram sobre a longa carreira, FOUREVER TOUR e a cultura do Brasil.
O que vocês acham que mais mudou na forma como vocês escrevem músicas e se conectam com o palco?
BOBBY: A gente não pensa em fazer um gênero específico. Pensamos em fazer a música que queremos, que sentimos vontade de fazer naquele momento.
JAY: Nós começamos com o hip-hop, mas fomos mudando ao longo do tempo, acreditamos em diversos gêneros. Mas o que não mudou foi a liberdade da nossa equipe.
Se vocês pudessem voltar no tempo e conversar com a versão mais jovens de vocês atrás, o que diriam?
JAY: Durante esse tempo, muitas coisas aconteceram: coisas boas, coisas ruins e muitas dificuldades. Mas sinto que tudo isso acontece por uma razão. Então, eu gostaria de falar para o meu eu de 10 anos atrás: "é só seguir em frente".
SONG: Atualmente, eu me sinto muito satisfeito com o meu trabalho e com a minha vida como cantor. Mas sei que, no passado, não foi bem assim. Na época de treinamento, foi muito cansativo e, às vezes, até me desanimava. Mas eu gostaria de falar para o meu eu de 10 anos atrás que isso sempre melhora. Então, é só continuar e aguentar um pouquinho mais, porque as coisas melhoram. E eu também diria que, depois de 10 anos, ele estaria se apresentando no Brasil. [risos]
Existe algum gênero brasileiro que vocês gostariam de experimentar no futuro?
BOBBY: Pessoalmente, desde novo, tive contato com a bossa nova. Então, até agora, penso que talvez seria interessante experimentar com o ritmo da bossa nova. Ela lembra um pouco o jazz, mas é diferente também. Então, se a gente tentasse colocar uma letra coreana nesse ritmo, talvez ficasse muito legal.
SONG: A gente vê muito no TikTok que os brasileiros têm danças muito específicas nas redes sociais. Às vezes, vemos as danças e aprendemos um pouquinho por ali. Mas também gostaríamos de aprender com os próprios brasileiros, essas danças juntos, cara a cara. Queremos saber também se é realmente tão comum fazer essas dancinhas aqui no Brasil.
JAY: Achamos os ritmos latinos muito interessantes, então mesclar com o estilo do iKON poderia dar um resultado muito bom. Quando estávamos vindo para o Brasil, escutamos algumas músicas brasileiras, principalmente da Marina Sena. Percebi que ela tem um estilo muito único, com uma identidade muito clara. Então, acho muito interessante ouvir essas músicas e talvez me inspirar nelas para criar futuras músicas para o grupo.
O que vocês acreditam que é essencial para manter a identidade, a união e a longevidade do iKON nesses últimos 10 anos?
CHANWOO: Nós tentamos manter nossa identidade justamente para nos mantermos livres e nos divertirmos, não só musicalmente, mas entre os membros também. Ter um clima leve e comunicativo, acho que isso faz o iKON continuar sendo o iKON.
Tem alguma música no começo da carreira que quando vocês performam atualmente tem um significado diferente comparado a como foi produzida no começo?
BOBBY: Em Rhythm Ta tem uma parte da letra em que falamos “UCC”. Na época, parecia muito chique e moderno falar essa sigla, mas agora percebemos que envelheceu. Sinto que o tempo passou, já que a música tem mais de 10 anos. Mas uma coisa que não muda é que, toda vez que cantamos essa música, ficamos muito animados.
Depois de tantos anos de carreira, o que mudou na forma como vocês fazem um show hoje comparado ao início do grupo?
SONG: O que mais mudou é que não tem mais nervosismo, tem aquela ansiedade de querer fazer o show. Então, no Brasil temos mais expectativas do que nos países que fomos várias vezes.

(Arquivo pessoal/Samara Barboza)
Se vocês tivessem que escolher uma música que representasse o iKON para uma pessoa que nunca ouviu K-pop e dissessem “essa música é a gente”, qual música seria?
CHANWOO: Existem músicas que tiveram um alcance maior e mais streams, como “Love Scenario”, por exemplo. Mas sentimos que a música que melhor representa o nosso estilo e, principalmente, a nossa aspiração no começo da carreira é “Rhythm Ta”.
Vocês construíram uma carreira justamente em um momento em que o K-pop estava crescendo muito internacionalmente. Como vocês se sentem hoje, sabendo que o K-pop se tornou esse fenômeno mundial?
BOBBY: Nós percebemos agora que somos artistas globais, mas também reconhecemos a responsabilidade que vem com isso. Então, uma coisa com a qual precisamos ter cuidado é com a influência que podemos exercer, especialmente sobre as gerações mais novas. Queremos ser uma influência positiva. Até na escolha das palavras na hora de criar uma letra, tentamos fazer da melhor forma possível para que, inclusive para as gerações mais novas, possamos ser uma influência boa.
Como é estar comemorando pouco mais de 10 anos de grupo principalmente com os fãs brasileiros?
BOBBY: Nós demoramos muito para vir, ainda bem que não demoramos mais. Nós queremos sempre encontrar mais iKONICs mundo a fora, então agradecemos a organização que fez esse show acontecer.
SONG: Também queremos agradecer as iKONICs que esperaram esses dez anos.

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