FOUREVER TOUR no Brasil prova que o iKON ainda carrega aquilo que o tornou especial
- Samara Barboza

- há 2 horas
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Com forte repertório e presença de palco, primeiro show no Brasil também é um reencontro dos fãs com as memórias que construíram com o grupo

(Arquivo pessoal/Samara Barboza)
Dez anos depois de sua estreia, o iKON finalmente encontrou os iKONICs brasileiros pela primeira vez, no último domingo (30). Em uma apresentação marcada pela ansiedade do primeiro encontro, a FOUREVER TOUR no Brasil é uma celebração da trajetória do grupo e da conexão com o fandom local, mostrando que mesmo após uma década, a essência que conquistou os fãs permanece intacta. Além disso, revela como é encontrar artistas que amam o que fazem.
Com uma formação de quatro integrantes, uma vez que JUNE e DK atualmente cumprem o período de alistamento militar obrigatório, BOBBY, JAY, SONG e CHANWOO assumem a missão de levar o nome do iKON aos diversos países contemplados pela FOUREVER TOUR.
Uma nova formação também exige adaptações. Novas distribuições de linhas, mudanças nas formações das coreografias e ajustes que poderiam fazer a ausência de dois integrantes pesar. Mas o quarteto é capaz de lidar com esse desafio com maestria. A ausência de duas presenças fundamentais não passa despercebida, mas BOBBY, JAY, SONG e CHANWOO sabem como ocupar cada espaço deixado pelos companheiros e não deixam nada a desejar.
Um show dentro do show

(Arquivo pessoal/Samara Barboza)
O primeiro grande impacto veio logo na abertura, com Ah Yeah, seguida por Tantara, Bling Bling e SINOSIJAK, uma sequência de músicas mais agitadas do iKON. A euforia era tanta que, por mais que o público pulasse sem parar, a exaustão parecia estar longe de chegar. Talvez esse seja um dos efeitos de um show do iKON: por algumas horas, eles conseguem transportar o público para o próprio mundo.
O repertório contemplou diferentes fases da carreira do iKON. Love Scenario, uma das músicas mais emblemáticas do grupo, rendeu um coro emocionante. E quem estava mais próximo do palco pôde perceber a surpresa e a emoção estampadas nas expressões dos integrantes. Já Bling Bling apareceu nada menos que quatro vezes ao longo da noite, tornando-se praticamente um personagem à parte do concerto.
O bloco de solos também merece destaque. Com CHANWOO no teclado, os fãs acompanharam o integrante mais novo em YOU que rendeu elogios do próprio quarteto. Segundo os integrantes, o público brasileiro foi o primeiro a cantar com CHANWOO do início ao fim de seu solo. Mais uma demonstração de que os iKONICs estavam preparados para aquele momento.
Na sequência, o clima voltou a esquentar com os solos de JAY e BOBBY. Por fim, SONG proporcionou a muitos fãs a primeira experiência de ouvir Trot ao vivo. Particularmente, foi uma surpresa descobrir como o gênero pode ser tão divertido. Talvez, os próprios integrantes nem imaginem o quanto o gênero parece se encaixar perfeitamente com o animo do público brasileiro.
Se a animação tomou conta da arena durante o solo de SONG, não demorou para o show desacelerar. E veio uma sequência que talvez nem os iKONICs mais resistentes conseguissem atravessar sem se emocionar: WAIT FOR ME e Long Time No See, seguidas pelo medley de Welcome Back, álbum de estreia do grupo, e do NEW KIDS, e uma parte fundamental da história.
Um Encore que compartilha a saudades de fãs e artistas na mesma intensidade

(Arquivo pessoal/Samara Barboza)
Nos instantes finais, o iKON parecia tão longe de querer ir embora quanto os próprios fãs. Vestidos com camisas do Brasil, os integrantes retornaram para um encore de mais de 20 minutos, em um dos momentos mais bonitos e divertidos da noite.
Integrantes, dançarinos, banda e fãs estavam completamente em sintonia, em uma energia que parecia não ter hora para acabar. Tantara, Just Another Boy e Rubber Band foram algumas das canções que deram o tom da reta final, com os quatro integrantes se movimentando de um lado para o outro do palco e fazendo questão de interagir com fãs de diferentes setores.
BOBBY e SONG chegaram a descer do palco, aproximando-se ainda mais do público. E, como se a temperatura já não estivesse alta o suficiente, os quatro membros ainda jogaram muita água nos fãs, quase uma prévia particular de um Waterbomb.
Essa parte do show foi, particularmente, a mais reflexiva, como se todos nós tivéssemos sido transportados de volta às memórias dos primeiros anos do grupo. Eram canções que, por muito tempo, pareciam um sonho distante de ouvir ao vivo e que naquela noite finalmente ganhavam espaço no palco.
Havia algo de nostálgico em escutar aquelas músicas depois de tantos anos e com uma aproximação tão genuína dos quatro integrantes. E, para mim, What's Wrong e Just Another Boy são as músicas que mais permanecem vivas na memória quando penso no encore. Ouvi-las ao vivo, uma década depois, foi como reencontrar algo próximo da sensação do que foi ver o debut do iKON em 2015.
Antes de deixar o palco, o iKON prometeu voltar ao Brasil como seis integrantes. Depois de uma década esperando pelo primeiro encontro, fica a sensação de que, para os iKONICs brasileiros, a próxima vez não pode demorar tanto.
10 anos depois, a mesma essência
O iKON não apenas entregou o show que os fãs esperaram por tantos anos. O grupo conseguiu superar as expectativas e transformar uma primeira passagem pelo Brasil em uma experiência que dificilmente será esquecida.
A experiência de ver o iKON pela primeira vez deixa uma sensação curiosa: eles continuam sendo aqueles mesmos jovens ídolos apresentados ao público em 15 de setembro de 2015. Ainda há neles o mesmo entusiasmo por fazer música, estar no palco e, simplesmente, ser o iKON.
Talvez a maior explicação para a fidelidade dos iKONICs esteja justamente aí. A essência que fez tantos fãs se apaixonarem pelo grupo ao longo dos anos continua intacta. Eles amam o que fazem e deixam isso evidente a cada segundo no palco. Mais do que isso, fazem questão de retribuir o amor recebido dos fãs em cada olhar, cada interação e cada música cantada em conjunto.
Esse texto também ganha um tom pessoal quando a fã encontra, através da própria profissão, a oportunidade de contemplar o trabalho dos artistas que a acompanharam em sua formação. Estar diante do iKON como jornalista na coletiva foi, ao mesmo tempo, um exercício de profissionalismo e um encontro com uma parte importante da minha adolescência. Afinal, poucas experiências são tão especiais quanto perceber que o caminho construído ao longo dos anos pode nos aproximar daquilo que um dia admiramos à distância.
Como alguém que acompanha o grupo desde o MIX & MATCH, sempre me pareceu que a paixão dos fãs brasileiros combinaria perfeitamente com a energia que eles demonstram em cada performance. No dia 30 de agosto, essa impressão finalmente pôde ser comprovada.






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