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[Crítica] TWICE retorna mais potente do que nunca com "Set Me Free"

Atualizado: 20 de mar. de 2023

A faixa principal de "Ready To Be" ganhou versões em coreano e inglês, e a apresentação de estreia do novo álbum ocorreu na TV americana


(Divulgação / JYPE)

Para um grupo que está no topo desde 2016 com "Cheer Up" e que ainda tem muito — muito mesmo — para apresentar, é difícil definir é qual a era de maior destaque na carreira do TWICE; porém, a temporada atual é uma forte candidata ao título de ápice do girlgroup. Na última sexta-feira (10), o ato da JYP Entertainment tornou o momento atual ainda mais memorável com o lançamento do álbum "READY TO BE."


Antes de falarmos do álbum, vale contextualizar: no início do mês, o grupo recebeu o título de

Artista Revelação (Breakthrough Artist) no Billboard Women in Music, tornando-se o primeiro grupo de K-pop a conquistar esse prêmio. Todas as nove membros estiveram presentes na premiação, que ocorreu em Los Angeles, em 1º de março. No evento, o TWICE ainda apresentou o pré single em inglês "Moonlight Sunrise," divulgado em fevereiro.


Agora, o single está enfim disponível junto à sua coletânea completa. "Ready To Be" possui sete faixas, das quais são duas assinadas pela membro Dahyun. Este é o primeiro trabalho do grupo desde BETWEEN 1&2, lançado há cinco meses. Quer descobrir o que o Café com Kimchi achou de cada música no novo álbum? Confira a crítica após a publicidade.



Dançante e descomplicada


SET ME FREE, a faixa título do novo álbum, é impactante tanto no âmbito sonoro como no visual. Na primeira esfera, o destaque vai para a introdução da faixa, com o bass marcado que não permite que o ouvinte divida sua atenção com outros elementos. Há um toque de retrô em toda a construção da faixa, mas nada que ameace a sua fluidez ou a torne saturada. Porém, a falta de rimas fora do refrão incomoda um pouco, mesmo que este artifício não seja tão importante no K-pop como é para outros gêneros.


No videoclipe, as integrantes Nayeon, Jeongyeon, Momo, Sana, Jihyo, Dahyun, Chaeyoung, Mina e Tzuyu protagonizam cenas alucinantes, dirigindo carros esportivos, dançando em outro planeta e até explodindo um cinema — um daqueles cinemas antigos, com letreiro neon, reafirmando a pegada vintage na faixa. A coreografia coloca em foco o gesto de romper uma algema imaginária, que combina com a letra da música ("me liberte", em tradução literal). Confira a produção abaixo.



Apesar de intensa, a faixa título é uma aposta segura do grupo, sem grandes inovações; até o gesto chave da coreografia já foi usado e reusado diversas vezes no K-pop. A missão de apresentar algo diferente, então, recaiu sobre o pré-single MOONLIGHT SUNRISE, que faz isso com excelência. Mesmo cantada em inglês, a faixa de EDM consegue traduzir muito da essência do grupo. Viciante, sensual e com o melhor rap dentre as sete músicas no álbum, o single explica em si só as mais de 70 milhões de visualizações no Youtube. Confira o MV abaixo.



B-sides em evidência


Aquele pezinho no retrô volta na introdução de GOT THE THRILLS, a terceira faixa do álbum. O pré-refrão é o ponto alto, com os vocais divinos da Jihyo que ganham realce no trecho com a velocidade reduzida. Na da segunda metade, a música chega perto de pecar pelo excesso de informação; nesse sentido, a ponte iniciada pela Mina seguida do refrão isolado na voz da Nayeon faz um trabalho fundamental para resgatar o equilíbrio e a qualidade melódica do início.



BLAME IT ON ME, escrita por Dahyun, rivaliza com a title como a intro mais potente do álbum — e ela leva vantagem por flertar com os acordes do rock. Com o avançar da faixa, é impossível que ela não conquiste mesmo os ouvintes mais exigentes. Os versos instigantes que antecedem o refrão e a repetição da sequência intacta na segunda estrofe trazem uma coerência à sua construção que é muito bem-vinda. Uma b-side para ouvir em loop!


WALLFLOWER começa tímida e não se dá muito por ela a princípio, mas, assim como a anterior, temos aqui uma hidden gem, isto é: uma joia escondida no álbum. Com o avançar do instrumental e dos vocais repletos de leveza, a faixa vai ganhando forma — e que forma! Ela brinca com elementos sutis de electro, mas sem descaracterizar o pop mais sóbrio e menos bubblegum no qual o grupo vem se especializando nos últimos anos. Acaba se sobressaindo no conjunto justamente por ser simples e fazer valer a máxima de "menos é mais."


Os acordes de rock voltam em CRAZY STUPID LOVE, também escrita pela Dahyun. Aqui é oportuno aclamar a sequência das canções, a minúcia no ordenamento do álbum que soube como valorizar cada música individual e também coletivamente. Esta é outra faixa que poderia ser resumida na expressão impactante, com ritmo bem marcado somado à qualidade no vocal das integrantes. Ela "encerra" o álbum de um jeito melancólico, realocando expectativas para os próximos trabalhos do grupo.



A última música do álbum é a versão em inglês da title, SET ME FREE. É preciso dar o braço a torcer: a versão em inglês consegue superar a coreana, pois rimas acertadas fazem toda a diferença no primeiro e segundo trecho da faixa. É difícil fazer essa avaliação em se tratando de um gênero tão singular como o K-pop, que luta contra uma espécie de imperialismo musical por conta de referências externas. Mas, se serve de consolo, o grupo debutou a faixa no programa americano The Tonight Show Starring Jimmy Fallon e cantou a versão coreana.



Em suma, READY TO BE honra o nome que estampa suas versões físicas mostrando que o TWICE está "pronto para ser" o que bem entender. Com longos anos na indústria, o grupo feminino já não precisa mais provar nada a ninguém, está livre para trafegar nos conceitos que lhe favorecem e, mesmo na zona de conforto, surpreender pela capacidade de se superar. E você, o que achou do lançamento do TWICE? Conta pro Café com Kimchi nas nossas redes!



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