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[Entrevista] Após impressionar em audição para a HYBE, RIKA brilha em carreira independente

Atualizado: 19 de mar. de 2023

Também conhecida como Erica Kim, a artista fez audições para a HYBE e JYP, enfrentando o tribunal da internet antes mesmo de lançar seu primeiro EP


(Divulgação/RIKA)

A música sul-coreana não é apenas feita de pop, embora os menos entendedores tendam a crer que sim. Em uma indústria bilionária, comandada por grandes companhias de entretenimento, talentos jovens e músicos independentes tentam conquistar seu próprio espaço e fazer sua arte chegar ao público geral. RIKA é uma dessas artistas.


A cantora e compositora de R&B ganhou notoriedade na internet em 2020, com um vídeo feito para a audição da BE:LIFT, empresa formada pela união da HYBE com a CJ ENM, em 2020, conquistando incríveis 3,4 milhões de visualizações. Apresentando-se com um rap escrito por ela mesma, a artista Erica Kim (ou Kim Sihyun, em seu nome coreano) acabou não sendo aprovada, mas deixou uma boa impressão a quem assistiu.


RIKA não se deixou afetar pela negativa e começou a produzir suas músicas autorais, resultando no recente EP intitulado TOXIC. Lançado em 29 de julho, o trabalho conta com quatro canções e se baseia em experiências pessoais. O Café Com Kimchi teve a oportunidade de entrevistar a cantora e descobrir as motivações por trás de sua recente carreira independente, seu amor por música e aspirações para o futuro.


“Relacionamentos tóxicos em todas as perspectivas”


TOXIC conta com as faixas "Genie", "Motels & Cheap Wine", "Addicted" e "Goodbye", todas escritas e interpretadas por ela. Este é o seu primeiro EP, após ter escrito outros singles como "Playboy" e "baby in blue", abrindo caminho para a expansão de sua carreira independente. Nas letras do álbum, utilizou os dois idiomas que mais domina (inglês e coreano) para expressar suas conflituosas vivências românticas.


Antes de tudo, gostaria de saber o que fez você se apaixonar por música e aprender habilidades como cantar e compor?


“Acho que sempre amei música desde criança! Eu tenho cantado desde que comecei a falar – embora não tenha sido a melhor. No entanto, sou do tipo que sempre termina as coisas em que me dedico e acho que a música era um desses casos. Eu realmente não tive nenhum treinamento musical formal, mas continuei até que comecei a soar decente. Eu fiz poesia falada (slam) no ensino médio e, eventualmente, acabei combinando meu amor por escrever e pela música. E aqui estamos hoje!”



De que forma você preparou o conceito para o seu primeiro EP "TOXIC" e como foi o processo para obter o resultado que você queria?


“TOXIC é sobre relacionamentos tóxicos de todas as perspectivas. Às vezes eu sou, às vezes o outro é, e às vezes nós dois somos. Eu tenho uma longa história de namoro e envolvimento romântico com pessoas tóxicas e acho que esse EP foi uma maneira de expressar todos esses sentimentos e experiências.”


“Em termos de processo, sou uma grande perfeccionista e trabalhei muito de perto tanto com meu produtor/gerente, Aeon, quanto com meu engenheiro de som, Nomichit, para obter cada detalhe como eu queria. Devo muito a estes dois e todo este projeto não teria sido possível sem eles.”


Audições para a HYBE e JYP

(Divulgação/RIKA)

RIKA tem tentado emplacar a carreira como cantora profissional desde 2019. Sua primeira aposta foi na audição Plus Global Audition, promovida pela HYBE (antiga Bighit), empresa responsável por grupos como BTS e TXT. Ao ser convocada, fez uma viagem de oito horas de Bay Area, onde nasceu na Califórnia, até Los Angeles.


Após anos focada apenas em artistas masculinos, a HYBE finalmente estava recrutando meninas para a criação de um novo girlgroup, e essa foi a oportunidade que RIKA encontrou de adentrar à indústria. Nascida em 2002, tinha 17 anos na época e acredita ter sido considerada muito mais velha do que as demais concorrentes, que beiravam entre os 13 e 14 anos.



Ao ser reprovada na audição, tentou a sorte no ano seguinte, mas dessa vez na JYP, companhia que emplacou grandes grupos de K-pop como TWICE, 2PM e GOT7. Para a seleção, publicou um vídeo no TikTok, cantando How You Like That, do BLACKPINK, com o rap reescrito por ela mesma. Além de não ter passado, também foi vítima de ataques online, em que pessoas questionaram seu talento e a música escolhida.


Sua última e mais recente tentativa aconteceu em 2020, em audição global e virtual para o novo girlgroup da BE:LIFT, também da HYBE e responsável pelo debut do ENHYPEN. O vídeo ganhou muita atenção no YouTube, fazendo com que os espectadores lamentassem pela sua terceira reprovação na seleção para se tornar uma idol de K-pop.


O mercado sul-coreano pode ser desafiador para artistas que estão começando de forma independente, sem o apoio de grandes empresas de entretenimento. Como você enxerga sua posição nesse cenário atualmente?


“Com a ascensão da mídia coreana no ocidente, a indústria coreana de entretenimento se tornou ainda mais competitiva do que antes. Há tantas pessoas que são artistas independentes neste espaço e eu meio que vejo isso como algo que não está inteiramente em minhas mãos.”


“Eu coloco tudo de mim na minha música e adoro conhecer meu público, mas, no fim do dia, não consigo decidir quem gosta ou não da minha música. Apenas confio que o que quer que aconteça deve acontecer e, até então, estou aqui apenas para aproveitar a jornada para me tornar uma artista melhor.”


Em 2020, você se tornou viral com um vídeo de sua audição para a BE:LIFT. Naquela época, o que passava pela sua cabeça quando você começou a chamar a atenção de tantas pessoas na internet? Teve alguma consequência negativa?


“Quando publiquei aquele vídeo de audição, não levei muito a sério. Eu escrevi o rap apenas algumas horas antes e o filmei às três da manhã. Não fazia ideia que tanta gente iria assistir e muito menos me apoiar. Embora menor em comparação com a quantidade de amor que recebi, também recebi muita atenção negativa.”


“Eu tenho feito conteúdo nas redes sociais há muito tempo e acho que acabei me acostumando com a ideia de que nenhuma atenção é má atenção e, se eu tenho haters, significa que eu consegui. Eu criei uma camada protetiva para esse tipo de coisa. Você não precisa que as pessoas gostem de você ou te odeiem, porque, no final do dia, se você está tão na mente delas a ponto de sentirem a necessidade de expressar isso, elas são fãs.”


Atualmente, o TikTok tem sido uma importante plataforma para aumentar o alcance de novos artistas e suas músicas. Como você tem usado isso a seu favor?


“Na verdade, comecei toda a minha “carreira” online no TikTok. Sou criadora e consumidora ávida de conteúdo desde 2019 e tive a chance de entender como a música tende a ser notada. Graças ao meu empresário Aeon, eu fiz um cronograma de postagem de conteúdo todos os dias até o lançamento do meu EP, para que ele fosse notado pelo algoritmo.”


“Eu sabia que meu EP não seria para todos, então fiz muito conteúdo tentando despertar o interesse dessa comunidade especial de amantes do R&B coreano, “sad girls”, e qualquer pessoa que me conhecesse como uma personalidade online.”


RIKA está mais interessada na jornada do que no destino

(Divulgação/RIKA)

“Lembre-se do meu nome e do meu rosto, porque se eu colocar minha mente nisso, posso fazer qualquer coisa.”


Esse é um dos trechos mais marcantes de seu vídeo para a audição na BE:LIFT. E, podem acreditar: ela está muito determinada em levar sua música para todo o mundo. Apesar de entender as dificuldades do que é ser uma artista independente, RIKA está criando seu império gradativamente, trabalhando em músicas autorais e colaborando com cantores que compartilham do mesmo sonho que o seu.


No R&B, quais foram suas maiores inspirações?


“Tenho tantos artistas favoritos dos quais me inspiro. Quanto aos artistas coreanos, eu amo BIBI, Leebada, DEAN e JUNNY, admiro muito eles. Já em relação aos artistas ocidentais, sou uma grande fã de NIKI, SZA e Lolo Zouai.”


O que você gostaria de vivenciar em sua carreira no futuro e qual é a sua maior ambição como artista?


“Eu sempre digo que tendo a sonhar grande porque sou de Peixes. Astrologia à parte, eu tenho muitos objetivos realmente ambiciosos, como me apresentar em um local cheio de pessoas que ouvem minha música e poder ouvir a multidão cantar junto. Eu adoraria lançar um álbum completo em um futuro próximo também e quero escrever mais em coreano.”


“Outro sonho muito grande e meio trivial meu é ter alguém me notando em público ou assinar um autógrafo. Acho que isso seria uma loucura. Outra coisa que eu gostaria de trabalhar como meta de longo prazo é ter sucesso o suficiente para comprar uma casa nova para minha mãe e colocar minha irmãzinha na faculdade.”




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