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Estreia do NMIXX é marcada por erros que sobrepõem acertos e escancara os novos rumos do K-Pop

Atualizado: 5 de fev. de 2023

Tudo bem que é difícil agradar todo mundo, mas precisava mesmo não agradar ninguém? Confira a nota no fim da crítica

(Divulgação / JYP Ent.)

Na última terça-feira (22), a JYP Entertainment apresentou ao mundo seu mais novo grupo feminino, o NMIXX. As rookies debutaram com o single album AD MARE, com quatro faixas, sendo as duas últimas os instrumentais isolados das duas primeiras. O MV para a faixa titular 'O.O' alcançou quase 20 milhões de views no YouTube nas primeiras 24 horas. Com esses números, é seguro dizer que o debut não "flopou", mas, certamente, frustrou.


A faixa título do álbum começa impactante, mas logo se torna agressiva e desconexa. A primeira parte tem o seu valor, mas tudo se embaralha na segunda metade da música, que deixa o ouvinte atordoado com tanta informação sendo bombardeada ao mesmo tempo. Para quem consegue se acostumar — e até gostar — após alguns replays, ótimo. Mas, para quem a primeira impressão basta, é difícil se dar ao trabalho de ouvir novamente.


De refrão fraco e cliffhangers que levam a nada além de decepção, 'O.O' agride a ponto de ser impossível identificar um gênero predominante. Além do pop, há um quê de funk, trap, hip-hop e dance. Por vezes, parece mais um highlight medley do que uma única canção. O caos da música acompanha também o videoclipe. Com inúmeros cenários e sem uma história linear, ninguém entende o que está acontecendo. Veja após a publicidade.



TANK, a segunda faixa do álbum, falha em encantar da mesma forma. Apesar de possuir uma melhor definição dos elementos do que 'O.O' — o que a torna menos confusa —, o refrão "I'm So Freaky Fresh Fresh" é demasiadamente repetitivo, deixando a faixa enjoativa já na primeira reprodução. A tentativa de brincar com as palavras dá uma dimensão infantil à música, contrastando com a letra e o próprio conceito do grupo.



Expectativa vs. Realidade e os novos rumos do Kpop


Se dizemos que o debut do NMIXX frustrou é também por causa da expectativa lançada sobre o grupo, fruto da apresentação prévia das integrantes e do grande legado da JYP com atos femininos, como o TWICE, Wonder Girls e ITZY. Há quem ainda tente defender: uma música ousada como O.O não serve para atestar a originalidade do novo grupo? Infelizmente, não. Não, porque a música experimental já faz parte do K-pop hoje, sendo explorada regularmente por grupos da 4ª geração.


Este é, afinal, um dos fatores que afasta fãs antigos, acostumados a ouvir melodias harmoniosas e momentos de impacto que, embora também agressivos, são coerentes com a música. Aliás, incoerente é um bom termo para resumir o lançamento do NMIXX. Quando foi que uma faixa simples, com versos, refrão e ponte bem definidos, virou um luxo no K-pop? O movimento não começou com o novo grupo da JYP Ent., mas, pelo visto, será perpetuado por ele.

Ao insistir no mesmo experimentalismo que grupos como aespa, Ateez, ITZY e Stray Kids (comparações feitas por usuários do Twitter no dia do lançamento), o NMIXX não prova a sua originalidade e mostra que chegou à indústria para oferecer mais do mesmo. Para dizer o mínimo, AD MARE trabalha com uma conceito de autêntico já vencido, obsoleto. Para dizer o máximo, é mais um bate-panela da 4ª geração.



Acertos do AD MARE


Um dos pontos positivos do debut do NMIXX é com certeza a experiência audiovisual. Para os fãs que gostam de criar teorias, o MV de O.O é um prato cheio. O figurino, por exemplo, parece abraçar a 'bagunça' da faixa, com vestidos de baile customizados com peças esportivas, dando uma profundidade de contrastes ao universo recém criado. Também, na cena inicial do clipe, é possível ver os destroços de um navio que, em outro momento, aparece inteiro e flutuando no céu.


Além disso, para um grupo que se propõe a estrear no conceito girl-crush, já tão familiar no K-Pop, é importante que as integrantes tenham atitude, e isso o NMIXX provou ter. O carisma da Lily, Haewon, Sullyoon, Jinni, Bae, Jiwoo e Kyujin é inegável, e a atuação das meninas no MV é um dos pequenos acertos que nos fazem querer acompanhar o grupo e ficar de olho nos próximos trabalhos.


Por fim, é preciso reiterar que esta review, embora majoritariamente negativa, refere-se apenas às músicas lançadas no álbum AD MARE, e a crítica segue acreditando no potencial enorme das integrantes, conforme já visto na apresentação dos teasers. Mesmo com o fiasco sonoro no debut, permanece a nossa esperança e desejo sincero de futuros lançamentos melhores.



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