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Em "Navillera", manhwa que inspirou K-drama, todos os sonhos se tornam possíveis

Quadrinho de HUN, publicado pela NewPOP, apresenta a história de um senhor idoso que deseja ser bailarino


Capa brasileira de "Navillera", manhwa publicado no Brasil pela Editora NewPOP.
(NewPOP Editora/Reprodução)

Você já deixou de realizar um sonho, pois se achou velho demais? Bem, este é o questionamento principal de Navillera - Como uma Borboleta, manhwa lançado no Brasil em 2023 e que inspirou o K-drama da Netflix. Aqui, um garoto e um senhor idoso têm os caminhos cruzados pelo amor à arte e a vontade de ser alguém fora daquilo que esperam deles; tudo com muita delicadeza e acalento, já digo.


A obra de HUN (que foi publicada primeiro como webtoon) chegou ao país no segundo semestre deste ano, e é uma ótima dica para quem gostou do drama com o Song Kang, ou está buscando uma leitura leve. Confira abaixo nossas primeiras impressões a respeito do quadrinho, ao que o Café com Kimchi leu o Volume 1 de Navillera!


ATENÇÃO: O texto abaixo pode ter pequenos spoilers da obra.



Em Navillera, manhwa explora o conflito de gerações e seus costumes


Como dito acima, Navillera apresenta dois personagens bem diferentes que se unem de forma inesperada. O primeiro deles é Shim Deok-chul, um homem de mais de 70 anos que quer retomar um antigo desejo de infância. Depois de viver décadas em prol da família e da criação dos filhos, o protagonista anseia por realizar o sonho de ser um bailarino — apesar de todos a sua volta olharem torto para a iniciativa de Deok-chul.


E quem complementa a dupla principal de Navillera é o garoto Lee Chae-rok, aluno de um bailarino premiado e veterano numa academia de dança. Ao longo da história, HUN aborda o passado de Deok-chul e Chae-rok com bastante sensibilidade, levando em conta que ambos os protagonistas têm feridas abertas de coisas grandes e pequenas (principalmente Chae-rok, por quem desenvolvi um carinho especial).

E nesse contexto, o jovem bailarino é posto para ensinar a arte que domina a Shim Deok-chul; mas como? Relutante no início, Chae-rok depara-se com um senhor com muita força de vontade, mas zero experiência, e sua vida se transforma quando Deok-chul se mostra alguém que é mais do que seu calouro: um amigo leal. Navillera adiciona ao enredo do Volume 1 o choque entre gerações e realidades que os personagens enfrentam, já que um lado é cheio de entusiasmo e curiosidade, e o outro vivenciou situações que o amarguraram o magoaram.



Além disso, Navillera é um manhwa que aborda situações de aprisionamento, mesmo que indiretas, de uma família perante um ente querido na terceira idade. Deok-chul, ao anunciar para os filhos, netos e esposa que quer aprender balé, é bombardeado por comentários etaristas e "torcidas de nariz" vindas de quem deveria apoiá-lo. Porém, a determinação do personagem ilumina o objetivo que tem no coração, mesmo que alguns de seus filhos sejam contrários à ideia — somados a outros coadjuvantes que também duvidam dele.


Edição brasileira de "Navillera", manhwa publicado pela Editora NewPOP.
(Café com Kimchi/Reprodução)


O conflito geracional de Navillera está presente na luta de Deok-chul em ser aquilo que não esperam dele. Ele quebra a imagem de um patriarca passivo, alheio e totalmente devoto à família mesmo no fim da vida, quando deveria viver em prol das suas vontades.


Relação de cumplicidade, em Navillera, existe até nas horas mais difíceis


Com grande foco no círculo social e desenvolvimento de Deok-chul no primeiro volume, Navillera - Como uma Borboleta também se compromete em mostrar a cumplicidade na evolução de suas figuras. No caso do personagem mais velho, ela aparece na forma de sua neta, Hye-jin, que é a parente mais compreensiva com os sonhos do avô; e também com Seong-gwan, o filho de Deok-chul que mais foi avesso à criação tradicional recebida com os irmãos.


E é curioso notar que estes dois personagens são diferentes dos outros dentro do enredo. Este detalhe mostra que Navillera, nas entrelinhas, aborda que pessoas "fora da caixa" sofrerão julgamentos daqueles que seguem o senso comum; mas que estas poderão encontrar apoio e receptividade naqueles que também pensam diferente.



Nesse sentido, Deok-chul é a pessoa que Lee Chae-rok precisava para se reerguer. O garoto, profundamente abalado pela separação da família e o falecimento da mãe, parece ter sofrido uma desfragmentação emocional conforme cresceu. Deok-Chul é quem irá remendar a situação como se Chae-rok fosse, de fato, um de seus netos.


Nota-se que a família não enxerga Deok-chul como alguém que ainda pode sonhar e voar. Em tal aspecto, o senhor é similar a Chae-rok, que foi privado de seus objetivos por pessoas que o impediram de se aprimorar.



Contudo, é encantador ver como Navillera é um manhwa que acalenta o leitor. As páginas ilustradas e coloridas pela desenhista JIMMY trazem conforto, apesar das motivações dos personagens terem backgrounds tristes (Deok-chul, por exemplo, perde um grande amigo no início da história, e os flashbacks de Chae-rok envolvem situações de bullying na escola).


Essa é a forma com que os autores encontraram a narrativa certa para abordar o renascimento e a retomada da vontade de viver dos protagonistas, diante de um cenário com repressões, negativas e a presunção do mundo — e um jeito de levar consolação aos leitores que se sentem desmotivados, ou foram impactados por dificuldades que escapam das nossas mãos.


Personagens encantadores superam desafios e nos deixam animados para mais


Navillera entrega de bandeja dois personagens maravilhosamente construídos, tanto em suas motivações quanto nos defeitos e feridas do passado. HUN e JIMMY foram mestres em criar Deok-chul e Chae-rok com polos positivos e negativos nas suas personalidades, da forma que toda história que trata de seres humanos deveria fazer.


Edição brasileira de "Navillera", manhwa publicado pela Editora NewPOP.
(Café com Kimchi/Reprodução)


Por mais que Lee Chae-rok seja teimoso e individualista na sua forma de viver, Deok-chul é a pessoa que será a âncora para levá-lo de volta a ser alguém que supera desafios. E talvez seja importante que todos nós tenhamos alguém assim em nossas vidas: nos momentos mais difíceis, um amigo estará lá para estender a mão.


O Volume 1 de Navillera termina te deixando querer saber mais, com um cliffhanger relacionado ao passado de Lee Chae-rok. E falando sobre o K-drama da Netflix, os acontecimentos da trama que permeiam o encontro da dupla são diferentes, assim como seus plots pessoais, mas ainda assim é uma adaptação emocionante para a dramaland. Vale muito ser conferida, tanto pela carga sentimentalista quanto pelas performances de Song Kang e Park In-hwan.



Navillera - Como uma Borboleta é uma história sobre as pessoas que conhecemos em momentos mais do que inusitados, e que mudam nossas vidas para sempre. É um manhwa que explora, de forma sensível, o início da trajetória daqueles que estão prestes a partir e que viveram anos só para os outros — e daqueles que quase desistiram por conta das pedras no meio do caminho, pesadas demais para serem quebradas sozinhas.


Agora, reformulando a pergunta feita no início da resenha: você já deixou de realizar um sonho por não te permitirem ser quem é de verdade?


Navillera, manhwa publicado no Brasil pela Editora NewPOP.

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