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O 'primeiro impacto' do Kep1er e um vislumbre de seu futuro

Atualizado: 5 de fev. de 2023

Em seu primeiro EP, o grupo demonstra uma enorme vontade de se firmar como referência na indústria

(Reprodução / Mnet)

Survival shows não são reconhecidos por agradarem totalmente o público. Do Produce 101 ao Idol School, controvérsias surgiram — a line-up não era a desejada, polêmicas no quadro de juízes, conceitos sem criatividade, problemas de screentime… Você pode escolher. A ideia de dar poder aos espectadores para que eles possam criar o grupo perfeito parece promissora até os produtores do programa decidirem que a vontade geral não é a ideal. O formato saturou, mas ainda chama atenção e pontos de audiência.


O Kep1er nasceu em meio a algumas dessas polêmicas. O programa que o formou, o Girls Planet 999, era ambicioso em sua proposta: juntar meninas coreanas, chinesas e japonesas para desenvolver um grupo global era a receita infalível para atrair o público local e internacional. Em meio a problemas com o sistema de votação, adiamentos da estreia e reprovação da line-up, as nove meninas que formam o girlgroup finalmente lançaram seu primeiro álbum, o First Impact.



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No que diz respeito a impactos, podemos nos certificar de que o Kep1er precisará de um segundo ou terceiro. Todos os grupos formados por realities têm algum tipo de identidade musical ou visual. O I.O.I, que executou perfeitamente o conceito de serem as garotas dos sonhos dos espectadores, pôde firmar seu legado como um dos grupos mais reconhecidos do k-pop. Mesmo com uma carreira que passou como um flash, o X1 ainda é referência e segue sendo lembrado com apenas uma canção em sua discografia. Resta esperar que o Kep1er também crie uma. Ainda que isso seja um empecilho, o álbum de estreia do grupo ainda vale a pena ser escutado.



A aura cósmica do EP e uma promessa de conceito


Seguindo o conceito do nome — Keplers são planetas nomeados em homenagem ao astrônomo Johannes Kepler; kep significa “alcançar sonhos” e o número 1 indica as nove integrantes se juntando como uma —, a sonoridade do álbum tenta replicar a galáxia. A canção de abertura See The Light puxa inspiração de 'aenergy', do aespa, no sentido de ser uma apresentação do grupo. O instrumental é fantástico para a abertura de um concerto, por exemplo, e combina com a proposta cósmica do grupo. Elas entoam “This is Kep1er / We are Kep1er” no final, e a melodia perdura por menos de dois minutos, o que traz a sensação de uma oportunidade desperdiçada.


WA DA DA é mais um caso da insistência do k-pop com onomatopeias e soa como várias outras músicas já lançadas. Parece ser uma homenagem ao Pristin, com o music video inspirado em 'Wee Woo', e também ao Weki Meki, evocando as batidas insistentes de 'I Don't Like Your Girlfriend'. O que era para ser uma estreia memorável e promissora se torna decepcionante e esquecível ao reciclar mil e outros conceitos sob a premissa de ser inovadora, não apresentando o frescor de um debut de um grupo do Produce. O refrão não é tão melódico e explosivo quanto poderia ser, soando até um pouco decepcionante.



Em meio a percalços musicais, o grupo conseguiu destaque nas apresentações. As membros Dayeon, Xiaoting e Hikaru, em especial, ganharam a atenção das redes sociais por se apresentarem de forma dinâmica e energética, e o Kep1er em sua totalidade está entregando boas performances. A coreografia de WA DA DA não é diferente do usual, mas funciona perfeitamente com a música e serve como um ótimo acompanhamento visual para esse início da carreira. Vale mencionar a parte do primeiro verso que complementa muito bem o jogo de câmera dos music shows!


Produzida pelo e.one, que são conhecidos por integrarem elementos do deep house em suas canções, MVSK não é apenas salpicada com o gênero — ela é um mergulho nele. O refrão anti-drop não é anticlimático como nas outras faixas que o utilizam; na verdade, ele se encaixa brilhantemente na proposta, e esse parece ser o verdadeiro debut do grupo: classudo, chique, performático (como comprovado pelo debut show) e personalizado.


(Reprodução / Mnet)

As próximas três canções são regravações de faixas do survival show. Shine - Kep1er Version foi a trilha sonora da final do programa, tendo um instrumental forte e animado, buscando elevar as energias das participantes e dos espectadores, como é esperado dos produtores da faixa, o grupo MonoTree. Apesar da música se sustentar bem sozinha, ela só brilha de verdade quando acompanhada pela incrível performance das finalistas, e isso deteriora a experiência do ouvinte. Another Dream - Kep1er Version foi uma favorita, uma ballad clássica vindo de grupos de k-pop cuja letra confessa os sentimentos de felicidade e carinho das membros. É uma canção agradável de se ouvir e específica para certos momentos, mas é possível que ela canse após algumas repetições.


O.O.O (Over&Over&Over) - Kep1er Version é a melhor desse trio. Caindo no clichê de uma música de introdução a um programa, apresentando um refrão explosivo e emotivo, O.O.O funciona porque as integrantes sabem demonstrar essas emoções por meio da performance vocal. A trajetória até o refrão pode parecer maçante, mas o ouvinte é recompensado ao ouvir, “Eu quero te encontrar, onde você está? / Estou muito curiosa sobre seu mundo”, um canto entoado por todas elas. É a forma perfeita de fechar o álbum de estreia do grupo.


(Reprodução / Mnet)

Num geral, o First Impact não é tão impactante quanto poderia ser. Cada uma das membros teve seu destaque nas missões do programa e ignorar as individualidades de cada uma para colocá-las em algo como WA DA DA parece uma jogada na direção contrária do que seria produtivo. Entretanto, MVSK é uma promessa; um gostinho gratuito do que o grupo pode se tornar, e nos resta esperar que, nos próximos dois anos, o Kep1er encontre seu lugar tanto no cenário musical quanto na indústria idol. Assim como o que foi cantado no fechamento do álbum, os ouvintes casuais e os fãs apaixonados também estão curiosos sobre o brilhante futuro que elas tem à frente.





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