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'Universe': Uma visão do experimentalismo tecnológico e diferencial do NCT

Atualizado: 5 de fev. de 2023

O novo álbum do mega projeto torna ainda mais polida a imagem da marca, criando uma definição do som NCT


(Reprodução / Spotify)

Ambicioso, experimental, único: as palavras geralmente utilizadas para descrever o conceito do NCT são as mesmas que conseguem capturar o novo álbum, Universe, em sua mais pura essência. Juntando-se para seu terceiro projeto com todos os membros, o boygroup revela, mais uma vez, uma camada de sua discografia que os ouvintes casuais não conhecem.


É seguro dizer que, enquanto marca, o NCT ainda não possui uma imagem concreta. O sistema de units fazia sentido no início, com o NCT 127 apostando no som urbano, o NCT Dream fazendo uso do bubblegum pop e o NCT U servindo como o test drive para conceitos e gêneros; debutando posteriormente, o WayV não deu sorte ao ter como primeira música oficial uma regravação. Entretanto, no primeiro projeto como um grupo só, lançado em 2018, a definição de cada unit foi abandonada — o som urbano do 127 foi trocado pelo pop melódico de Touch, e o Dream abandonou os clipes de tons rosados para se rebelar em Go. Com tantas mudanças e inconsistência, foi natural que o público geral se despedisse e o fandom se tornasse cada vez mais fechado.


Aparentemente, o NCT segue na linha definida há meros 3 anos, se aperfeiçoando no gênero experimental e investindo ano após ano na estética cyberpunk, desenhando, de certa forma, sua própria identidade. O full album Universe mostra que, para o bem ou para o mal, a SM Entertainment tem plena sabedoria da direção para a qual está guiando o grupo.



(Reprodução / SM Entertainment)

O universo do Neo Culture


A abertura é New Axis, uma faixa de rap que aposta nos elementos de trap para criar um ritmo que carregue o flow dos rappers Mark (NCT 127, NCT Dream), Taeyong (NCT 127) e Yangyang (WayV). A letra revela o desejo, entoado como se já fosse realidade, de elevar as tendências a um novo patamar, tal como um novo eixo faz. Yangyang é uma boa adição à dupla Mark e Taeyong, que já estão acostumados à dinâmica de trocarem flows e linhas desde o debut do grupo em 2016.


Universe (Let's Play Ball), uma das faixas-título, traz uma junção de membros ainda não vista em formações do NCT. O hooklet's play ball, let's play ball” é entoado pelo primeiro verso, volta no segundo e carrega inteiramente a outro, aparecendo até como subtítulo da canção. O refrão é melódico, revisitando o que vimos em Superhuman, por exemplo, e a música encaixa perfeitamente com o que nos acostumamos a esperar do NCT — mas não é para todos os gostos.



A estrutura de Universe (Let's Play Ball) é mantida em Earthquake — percussão forte e impactante e refrão cantado —, e a boa experiência do ouvinte é prejudicada ao se colocar duas canções parecidas, uma logo após a outra. Mesmo perdendo seu brilho caso ouvida na ordem do álbum, Earthquake ainda vale a pena. OK! tem uma introdução que chama atenção, especialmente pelo trecho “My baby says she wants to dance with a ghost / She wants to leave me, uh”, que ganhou protagonismo nas redes sociais. Apesar de o refrão ser um pouco monótono, a faixa em sua totalidade é uma que pode crescer no ranking do ouvinte.


Birthday Party evoca lembranças de sua irmã Make A Wish (Birthday Song), lançada em 2020, pois se mantém numa batida emprestada do trap durante toda sua duração, apenas algumas batidas por minuto mais acelerada que sua antecessora. “É seu aniversário / Balance, balance, balance” e “Sim, querida / Você vai amar” são trechos que fazem parte da composição e não mudam a experiência. Know Now, com seu título de aliteração, propõe algo mais melódico do que realmente entrega. A mistura de trap — um elemento muito presente no álbum — com os sintetizadores não é exatamente agradável, e a canção não é impactante.



A próxima da tracklist, Dreaming, é uma das joias do álbum. Cantada inteiramente pelo NCT Dream, os favoritos do público em termos de discografia, a canção traz um hook de sintetizadores que soam como sinos e ditam o ritmo. O pré-refrão corta a batida, mas ela volta com força durante o refrão, evocando um house que é característico do Dem Jointz, produtor da música. Assim como Universe (Let's Play Ball), Dreaming transforma um conceito em melodia, e faz isso muito bem.



Round & Round, a número 8 do álbum, se junta a Dreaming para criar a dupla dos destaques do lançamento. Composta por elementos que sintetizam perfeitamente o cyberpunk que associamos com a marca NCT, o refrão melódico e repetitivo dá voltas e voltas como o título diz, e o ciclo de harmonia das vozes eleva a entrega a outro nível. O final com o “You don't know I need ya” em fade out oferece uma ambientação mais obscura para a música, que se tornaria ainda mais completa com um music video complementando a faixa. Miracle empalidece em comparação às anteriores — apesar da batida lembrar Love Talk, também do WayV, é inegável que sua antecessora é muito mais memorável que a desse ano.


A partir da faixa 10, o álbum toma um rumo mais doce, mais lento e menos eletrônico. Vroom começa a diminuir o ritmo outrora incansável, sendo uma canção que soa como o fechamento de um concerto, e Sweet Dream segue o mesmo conceito. Good Night desacelera ainda mais, levada quase que completamente no violão, mas nenhuma das três consegue ser muito marcante.



Beautiful é a faixa que encerra o álbum, iniciando com um riff de piano e com um verso falado: “A pessoa mais importante da sua vida deve ser você / Seja bonito”, tentando soar como um encerramento esperançoso de uma viagem de 13 canções. Cantada pelos 23 membros, Beautiful acerta os erros de Black on Black — a primeira música com todos os integrantes, lançada em 2018 — ao tentar colocar um verso para cada um, mas falha por ser uma faixa sem inspiração e esquecível.



Um projeto inovador é fadado a ter falhas, e essas podem ser mal vistas dentro de uma indústria perfeccionista como a do k-pop. O NCT, apesar da inconsistência sonora e conceitual, parece estar finalmente se adequando a uma imagem própria, seguindo os lançamentos de 2020 e se mantendo na mesma sonoridade. Os diretores, membros, produtores e criadores têm plena consciência de que é uma marca que pode não agradar a todos, mas seu trabalho é minuciosamente calculado para entreter aqueles que se dispõem a passear pelo emaranhado de units, music videos e introduções de membros.


Universe não é perfeito, mas tem fortes elos que o fazem ser um álbum valioso, principalmente na discografia de um grupo que adiciona mais uma camada à sua discografia em cada lançamento. Com canções como Round & Round, Dreaming e Earthquake, o NCT se mostra direcionado a um objetivo mais claro: ser diferente dos outros grupos.






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